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quinta-feira, 17 de outubro de 2013

For Annie




“Ninguém se deu conta quando Annie estava chorando. As pessoas estavam ao redor, mas ela ainda assim estava sozinha (...) Ninguém sabia de seu desespero, as pessoas não ouviam seus gritos silenciosos. Trancada no banheiro, ela pega um vidro de comprimidos. O remédio que cura se torna o veneno que mata.
E agora é tarde demais para Annie
Ela se foi pra sempre”

Esse é um pequeno trecho da música “For Annie”, que conta a triste história de uma menina que, num ato de desespero, deu fim à sua vida. Sem dúvida, para Annie, tudo está acabado, ela morreu física e espiritualmente.

Hoje em dia, vemos muitas histórias parecidas com de Annie. Pessoas que não conseguem carregar o fardo da vida e, num ato inútil, dão cabo dela, direta ou indiretamente, sem pensar nas conseqüências eternas para sua alma.

O compositor continua:

“Há tanta coisa que poderíamos dizer a ela, e agora é impossível. Porque é tarde demais, tarde demais para Annie (...) Poderíamos dizer que Jesus a ama, que Jesus se importa. Dizer que Ele pode libertá-la, e carregar seus fardos. Mas é tarde demais, tarde demais para Annie”.

Ficamos perplexos com a situação, e em nossas mentes aparecem  centenas de coisas que poderíamos ter dito, mas não dissemos. Como cristãos, poderíamos ter falado de Jesus, mas ficamos calados. Annie não ouviu essas palavras de Cristo:

“Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; eu não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize.” (João 14:27)“Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei”  (Mateus 11:28).

Mas, se para essa Annie está tudo perdido, devemos pensar nas milhares de “Annies” que estão no mundo, e muitas vezes, até mesmo do nosso lado! 

“E ainda não é tarde demais para Annie
Ela pode estar perto de você
Não perca a chance de dizer a ela antes que se torne impossível
Temos que dizer que Jesus a ama, que Jesus se importa
Não é tarde demais...”




Música:  For Annie -  Petra
Adaptação: Presb. Daniel Moura - IPBV

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

REFLEXÕES SOBRE A MORTE



A idéia da morte, até que nos defrontemos com ela, é tão estranha a nós, que aprendemos a desconhecê-la e viver como se ela não existisse. Exatamente, porque do contrário não teríamos condições de sobreviver, pois vivemos as nossas paixões como se jamais fôssemos atingidos. Assim uma leviana sensação nos embala no viver, como se a morte nunca nos colhesse e apenas acometesse aos outros, cujo desaparecimento choramos, na insustentável persuasão de uma hipotética eternidade neste mundo.

De repente, no entanto, ameaçados pelo perigo iminente que ronda, refletimos como Jó, o personagem bíblico: “Porque há esperança para a árvore, pois mesmo cortada ainda se renovará, e não cessarão os seus rebentos; se envelhecer na terra a sua raiz e no chão morrer o seu tronco, ao cheiro das águas brotará e dará ramos como a planta nova. O homem, porém, morre e fica prostrado; expira o homem, e onde está? Como as águas do lago se evaporam, e o rio se esgota e seca, assim o homem se deita e não se levanta: enquanto existirem os céus não acordará, nem será despertado do seu sono”. Ou como Samuel, o profeta e sacerdote em Israel: “Porque temos de morrer, e somos como águas derramadas na terra que já não se podem juntar”. Ou ainda como Davi, o rei e poeta: “Eu vou pelo caminho de todos os mortais”.

Esse pensamento, integrante no contexto religioso algumas vezes milenar do AntigoTestamento, nos mostra que não apenas a cultura ocidental, mas também as demais têm dificuldade quanto ao trato ou administração dessa contingência trágica da vida.

O ensino evangélico e apostólico, porém, embora confirme esse realismo contundente expresso na concepção hebraica [basta ouvir a esse respeito o Dr. Paulo, ex Saulo de Tarso: “O salário do pecado é a morte”, “O último inimigo a ser vencido é a morte”, “Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?”], nos acode e consola. Daí as promessas claras e firmes de Jesus, o Verbo de Deus. E como precisamos ouví-las! Dentre elas destacamos estas: “Os filhos deste mundo casam-se e dão-se em casamento, mas os que são havidos por dignos de alcançar a era vindoura e a ressurreição dentre os mortos não casam nem se dão em casamento; pois não podem mais morrer, porque são iguais aos anjos, e são filhos de Deus, sendo filhos da ressurreição”. ”Deus não é Deus de mortos e sim de vivos; porque para ele todos vivem”. “Quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna; não entra em juízo, mas passou da morte para a vida”.

Com base nessas promessas concluímos que ao morrer - deixando de existir como pessoa, agente da história, efetiva personalidade - alcançamos a imortalidade, permanecendo como objeto do amor, compaixão e afeto divinos, e ascendemos à condição de bem-aventurança e glorificação eternas. Como dizia Santo Agostinho, “a vida não é mortal; a morte é que é vital”. Podemos, portanto, fazer a nossa declaração de fé resoluta e convictamente, ou seja: somos inebriados pela vida naquilo que ela tem de belo e fascinante e apaixonados pela morte naquilo que ela tem de livramento e redenção! Tudo isso, porém, é matéria de fé; jamais de especulação acadêmica, científica ou filosófica.

Concluindo, como Jesus chorando diante da sepultura do amigo Lázaro, choramos os nossos mortos e a nossa própria morte, pranto que reflete a nossa condição humana limitada, porque a lágrima é a última instância da dor, emoção que se materializa. Mas o fazemos em paz, com esperança, no amor solidário e, sobretudo na fé depositada nas palavras consoladoras de Jesus: “Não se turbe o vosso coração; vou preparar-vos lugar para que onde eu esteja, estejais vós também”. 

Rev. Ephrain Santos de Oliveira

quinta-feira, 11 de julho de 2013

LUTAR COM DEUS OU CONTRA DEUS


 Gênesis 32:22-32 

“Como príncipe lutaste com Deus”.  Lutar com Deus. É admissível? Jacó, o suplantador, não foi o único a ter essa experiência. Outros servos de Deus, em épocas e circunstâncias diferentes iriam tê-la. Um deles, o filósofo espanhol Miguel de Unamuno, já falecido, dizia: “A minha vida não é comungar, mas lutar com Deus, desde o crepúsculo da manhã até o anoitecer como se diz ter Jacó lutado com o anjo”.  Evidentemente que não se tratava de uma luta no plano físico, corporal, mas noutra esfera, da mente e da alma. Então: teria sido a luta de Jacó uma competição em termos de força física? Ou teria sido uma porfia de caráter moral, psicológico e espiritual?  
Os estudiosos contemporâneos dão a essa escritura um sentido muito mais nobre e reverente do que aquele que, à primeira vista, se lhe poderia atribuir. Ei-lo: O escritor sagrado teria recorrido à imagem antropomórfica muito viva para designar uma luta que se passou não fora de Jacó, mas estritamente na consciência deste. O suplantador, depois de muitas fraudes, via-se de regresso a casa sabendo que seu irmão Esaú lhe ia ao encontro com 400 homens. O perigo de morte, que então enfrentava, o fez cair em si. Tomando consciência dos atos injustos que cometera, julgou ter chegado a hora de sofrer o castigo de Deus. O abatimento a que este pensamento o reduziu equivalia para ele a uma agonia ou luta. O patriarca, porém, não morreu nessa crise; ao contrário, conseguiu sair da depressão. Com efeito, o Senhor lhe deu a conhecer que o pouparia, embora o pudesse derrotar. Não o amaldiçoaria, mas o tornaria, daí por diante, divinamente forte contra os homens, Israel, ou seja, o portador das inabaláveis promessas e bênçãos messiânicas. Jacó, para o futuro, não seria o suplantador que vence por meios fraudulentos, mas aquele que sabe contar com o auxílio de Deus mais do que com a própria habilidade. O defeito deixado na coxa de Israel lembrar-lhe-ia a impotência do seu poder humano e a prepotência de Deus, que liberalmente outorga a vitória ao indivíduo que Ele escolhe.  
De qualquer modo interpretando, uma coisa é certa: Ali, no vau de Jaboque, naquela madrugada, ele teve a experiência mais dramática de sua vida, responsável pela transformação que nele se operou, ou seja, de Jacó enganador para Israel batalhador! Bem, deixemos de lado a controvérsia em torno de assunto tão polêmico. Mas, se não é admissível, ou é, uma vez entendida a luta em termos de experiência muito íntima com Deus, que dizer do atrevimento de M. Unamuno e da ousadia do próprio tema desta noite? Aqui propomos duas considerações:  

a) O Antigo Testamento nos apresenta vários personagens em situação de crise aflitiva que ilustram nossos comentários. Exemplo: Moisés “risca-me do teu livro”; Elias “basta, toma agora, ó Senhor, a minha alma”; Job “Pereça o dia em que nasci”; o salmista Asafe “quando o coração se me amargou e as entranhas se me comoveram eu estava irreconhecível”; Jeremias “Justo és, ó Senhor, quando entro contigo num pleito; contudo falarei dos teus juízos”; Habacuque ”Até quando, Senhor, clamarei eu e tu não me escutarás?”;  Oséas “O Senhor nos despedaçou...Ele fez a ferida!” 

b) O discernimento comum sobre esses exemplos saberia diferenciar entre lutar com Deus e lutar contra Deus! Lutar com Deus revela conhecimento íntimo da sua natureza de Pai amoroso e bom; revela confiança, revela espírito de intensa comunhão. Se quisermos um exemplo do que estamos falando, o colheremos no seguinte depoimento: Há algum tempo foram enfeixadas num livro, e publicadas, algumas cartas que o nosso amigo e contemporâneo, escritor Frei Beto, enviou para amigos, parentes e irmãos, quando se encontrava preso, sob a injusta acusação de anarquista. Entre elas se destaca uma destinada à sua irmã Cecília. Eis o seu teor: 
 “O amor que te dedico é grande como a distância que nos separa. Na tua simplicidade e no teu silêncio há qualquer coisa que sempre me tocou profundamente. És uma daquelas raras pessoas que sabem sempre ser pobres e possuem por isso uma imensa riqueza interior. Há em ti muitas coisas que correspondem à imagem que faço de Maria. Talvez porque não deves fazer nenhum esforço para amar a Deus. Ele te ama e isso se traduz claramente em tua vida. Minhas relações com Deus são muito diferentes, vivo em luta com Ele, discuto, me enraiveço, nunca estou satisfeito... Deus me arrancou da família ainda muito jovem e pôs sobre os meus ombros um jugo muito pesado, e me enviou a outras terras no meio de gente desconhecida. A ti Ele nada pediu de semelhante, não te impôs um jugo e nem te separou da família. Eu Lhe resisti, mas Ele venceu e me levou a uma vocação que nunca pensei ter... Olha um pouco o que Ele fez de mim: Me levou de cidade em cidade, me permitiu fazer belas amizades de que tive de separar-me, me arrastou por caminhos estranhos, me tornou notícia de primeira página nos jornais, permitiu que eu acabasse nessa prisão. Por vezes eu me pergunto: Até quando, Senhor? E tenho a impressão de que Ele ainda não se cansou de exigir de mim muito mais do que tudo que posso dar. Houve dias em que só me mantive de pé porque Ele o quis. Se dependesse de minhas forças, teria caído mil vezes. No mais fundo de mim mesmo peço a Deus de ser como tu, cheio de paz, com uma fé límpida e transparente como a água das montanhas. Não consigo! Ele quer que eu viva entre tempestades e ciclones, e sou obrigado a sustentar-me no fio de fé  que Ele me  concede. Minha irmã, o verdadeiro drama é que Deus confia demais em Nós. Quer que sejamos sua presença junto aos homens...Imagino que tua prece seja toda feita de silêncio. Eu, pelo contrário, não oro; discuto. Quando o faço, coloco uma série de problemas, ofereço sugestões, propostas, analiso, etc. Há dias em que tenho a impressão de que Ele não queira mesmo escutar-me... No entanto, insisto. Peço uma coisa, Ele me dá outra. Falo de certa maneira, Ele entende de outra. Talvez venha a ser assim até o dia em que nos encontraremos face a face... Poremos então os pingos nos is”.  
Aí está o exemplo, repito, de alguém que luta com Deus como Jacó. Agora, lutar contra Deus, e não é preciso mencionar exemplos, é atitude de Quem o conhece de longe, por informação, e conhece muito mal. Por isso mesmo abre greve contra Ele. Para reforçar essas considerações  sobre o tema em pauta, ou seja, lutar com e lutar contra, permitam-me ilustrar: quando estudante, na década de 60, imerso em profunda crise existencial, ouvi de um experiente pastor muito piedoso e bom amigo, o seguinte: a sua aflição reflete a justificável e sensível preocupação com a realidade sofredora da humanidade. Mas não se esqueça do seguinte: jamais se afaste da mística da evangelização, ou seja, dos mistérios da fé que se resumem na encarnação, expiação e ressurreição.   
Concluindo: lutar com Deus significa abrir o coração e apresentar-lhe as nossas mágoas, dúvidas, perplexidades, esse turbilhão de emoções que nos agita na intimidade, quando entramos no recesso da comunhão com Ele. Lutar contra Deus, repito, é fazer greve, a única que, mesmo não sendo ilegal, pois Ele não obriga ninguém a amá-lo, jamais produz resultado positivo ou favorável. E como ocorre essa greve? Negando as bênçãos recebidas, rejeitando os recursos (meios de graça) para superar as dificuldades, afastando-se dos meios próprios e adequados, culpando e responsabilizando a Deus pelos erros humanos, consequência natural da vida...  
Portanto, atentemos e nos capacitemos do seguinte: o plano pessoal e íntimo de relacionamento com Deus está a critério de cada um conforme as circunstâncias que nos envolvem. Cuidemos, porém, para que não seja equivalente a greve.  


Rev. Ephrain Santos de Oliveira 
pastor jubilado 
Igreja Presbiteriana

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Dinheiro rápido e fácil !!!


Não existe ou se ganha dinheiro fácil. Quando a oferta de dinheiro fácil aparece, alguém, em algum lugar, está sendo prejudicado. Os modos lícitos de ganhar dinheiro são trabalho, poupança, heranças, investimentos lícitos, doações etc. (Gen. 1.26; 2. 15; 19; 3. Ef. 4.28; 1Ts. 2.9; Pv. 6.6 – 11; 1Ts 4.11; Pv.; 10.4; Pv. 13.11; Pv. 14.22; 21.5; Deut. 23. 19, 20).
Percebo que, geralmente, oferecem-se as vantagens de “se ganhar rápido”, “que tem gente que ganhou X mil reais em poucos meses”, “fulanos que já compraram bens de consumo – carros importados, apartamentos etc”. Atraí-se pela COBIÇA de ganhar MUITO DINHEIRO e FÁCIL!!!
Fico a pensar na questão quando existem Cristãos envolvidos e não pensam na possibilidade de trazer prejuízo a outros (Sal. 15. 1 – 5). Há aqueles que apelam para o fato de “enquanto estiver entrando dinheiro, então tudo bem. Estou me dando bem”. E aqueles a quem você prejudicou? Até onde se conhece da Revelação, reter o que é dos outros por fraude, ainda que no exercício “do trabalho”, é roubo (Tg. 5.4; Lc. 19.8; Pv. 21.6)
Há, ainda outros, que apelam para LEGALIZAÇÃO dos “meios rápidos” de ganhar dinheiro. Ora, não é a legalização que define o que é moral/ético. Para o Cristão, o princípio geral da Ética Cristã, aplicada em todas as áreas, provém das Escrituras, não do Estado, interessado em ter LUCRO, licitando o que é ilícito. Se a lógica for a da legalização, penso que para muitos “cristãos” não haverá problemas manterem “bordéis”(casa de prostituição) ou “centros de consumo de entorpecentes” quando tais forem LEGALIZADOS.
Não! Eu não participarei de nenhuma forma de “ganhar dinheiro fácil e rápido” que não sejam aqueles estabelecidos pelas Escrituras. Não me importa se “alguns estão ficando ricos”, “conquistando bens que, com trabalho e poupança, levariam anos” ou “caindo dinheiro na conta toda semana”. Não estou aceitando convites. Quando confirmado, se confirmado, que se trata de “meio lícito e ético” de investimento, sem que alguém esteja sendo lesado ou prejudicado, ainda assim, não pretendo, firmemente, participar. Procurarei investimentos sólidos, confiáveis e ortodoxos, conservadores para o mesmo. Meu tesouro não está em querer ficar rico.
Contentamento é uma palavra que os Cristãos precisam relembrar (1Tm 6.6,8)
“Trabalhar com língua falsa para ajuntar tesouros é vaidade que conduz aqueles que buscam a morte”(Provérbios 21.6).
“A riqueza de procedência vã diminuirá, mas quem a ajunta com o próprio trabalho a aumentará”(Provérbios 13.11)

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Rev. Gaspar de Souza

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Podemos participar de festas juninas???

Um cristão protestante pode participar de festas juninas? Três respostas têm sido dadas a esta pergunta. Primeiro, há os que dizem “sim”, uma vez que entendem as festas juninas como celebrações cristãs. Afirma-se, nesse caso, que estamos diante de festejos ligados a personagens bíblicos tais como João Batista, Pedro e Paulo e isso, por si só, legitima tais festas como integrantes do calendário cristão. Essa é a posição defendida pela Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR).
Outros respondem com um absoluto “não”. Entendem que o modo como o Catolicismo Romano ensina sobre os santos não é bíblico. A Bíblia não prescreve nenhuma festa ligada aos profetas ou apóstolos, muito menos a nenhum ser humano canonizado pela igreja. Não há espaço para a crença em santos mediadores. Segundo as Escrituras “há um só mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem” (1Tm 2.5). Essa é a posição defendida pela maioria dos evangélicos tradicionais.
Uma terceira resposta inicia com um “não”, afirmando que os cristãos protestantes devem afastar-se das comemorações romanistas das festas juninas e, ao mesmo tempo, finaliza com um “sim”, abrindo espaço para a realização de arraiais gospel – festas caipiras evangélicas. Essa posição tem sido defendida por alguns evangélicos.
Aqui é recomendável lembrar as palavras do apóstolo Paulo:
” Portanto, meus amados, fugi da idolatria. Falo como a criteriosos; julgai vós mesmos o que digo. Porventura, o cálice da bênção que abençoamos não é a comunhão do corpo de Cristo? Porque nós, embora muitos, somos unicamente um pão, um só corpo. Considerai o Israel segundo a carne; não é certo que aqueles que se alimentam dos sacrifícios são participantes do altar? Que digo, pois? Que o sacrificado ao ídolo é alguma coisa? Ou que o próprio ídolo tem algum valor? Antes, digo que as coisas que eles sacrificam, é a demônios que as sacrificam e não a Deus; e eu não quero que vos torneis associados aos demônios. Não podeis beber o cálice do Senhor e o cálice dos demônios; não podeis ser participantes da mesa do Senhor e da mesa dos demônios. Ou provocaremos zelos no Senhor? Somos, acaso, mais fortes do que ele? (1Co 10.14-22).”
Um dos fatos a destacar é que, no texto em questão, Paulo trata da participação dos cristãos em refeições realizadas no contexto de rituais pagãos (Bíblia de Estudo de Genebra, 1. ed., 1999, nota 10.14, p. 1357). Sua convicção é que o cristão não deve participar de coisas ligadas à idolatria; tal ligação, em última instância, corresponde a uma “associação” com os demônios. Para o apóstolo, o problema era que os crentes, ao comer alimentos oferecidos aos ídolos, depreciavam sua comunhão com Deus na Santa Ceia, ou seja, agiam de modo inconsistente com a aliança, e, deste modo, provocavam o “zelo” do Senhor (1Co 10.18-22).
Isso pode ser transposto à questão das festas juninas por meio de um argumento de quatro pontos, qual seja:
1) A veneração aos santos da ICAR, por ferir não apenas a recomendação de 1Timóteo 2.5, mas também Êxodo 20.3-6, é idolatria.
2) As festas juninas, ligadas à veneração dos santos romanistas, são idólatras.
3) O cristão, de acordo com 2Coríntios 10.14, deve fugir da idolatria.
4) Portanto, o cristão deve fugir das festas juninas.
Anteriormente eu entendia que não havia problema em uma criança participar dos festejos juninos de sua escola. Hoje penso que o melhor é os pais explicarem a essa criança as razões pelas quais ela não participará da festa junina. É mais instrutivo, bíblico e edificante.
Mas, o que dizer da “alma caipira” que reside em nós, que nos motiva a acender fogueira, assar mandioca e batata-doce e comer bolo de fubá? Qual o problema, por exemplo, de realizar uma noite caipira ao som de modas de viola e, quem sabe, até brincar inocentemente de quadrilha evangélica? Ou criar uma “Festa dos Estados”, com barracas de comidas típicas ou algo semelhante, quem sabe até como estratégia para atrair visitantes?
Inicialmente, declaro meu respeito aos colegas pastores e irmãos em Cristo que não enxergam problemas na realização desse tipo de atividade. Eu mesmo já acreditei que isso podia ser feito sem prejuízos para o testemunho cristão e fiz isso de muito boa fé, com a alma sincera diante de Deus. No entanto, mudei de posição. Hoje, creio que a produção de versões evangélicas de festas juninas não é recomendável por algumas razões. Primeiro, porque estamos saturados de versões gospel de tudo: Temos uma quase inesgotável lista de práticas e “produtos” gospel. É preciso compreender que não fomos chamados a imitar o mundo e sim a transformá-lo (1Jo 2.15-17).
Em segundo lugar, há outro problema denominado associação. É possível que, ao participar de uma festa junina gospel, sejam feitas associações com o evento original, de origem e significado idolátricos – queiramos ou não, festas juninas estão ligadas às crenças da ICAR. Cristãos sensíveis podem sentir um desconforto inexplicável diante disso. Visitantes interessados na fé protestante exigirão explicações mais detalhadas sobre as razões da realização de tal noite caipira “calvinista”.
Sendo assim, parece-me mais adequado considerar as festas juninas evangélicas entre aquelas coisas que o apóstolo Paulo chama de lícitas, mas inconvenientes e não-edificantes (1Co 10.23). Nessas questão, pensemos primeiramente nos interesses do corpo de Cristo, e não nos nossos (1Co 10.24). Não sou contra comer bolo de milho, ou canjica, ou pé-de-moleque. Gosto de batata-doce assada na brasa e me delicio com um bom curau e uma música caipira de raiz. Desfrutemos dessas coisas, porém, na privacidade de nossos lares ou fora do contexto de festas caipiras nos meses de junho e julho. Não porque tais iguarias sejam pecaminosas em si, mas para evitar associações indesejáveis.
Somos livres para participar de festas juninas? Não. Ao participarmos de tais festas, nos ligamos em idolatria. Devemos realizar eventos caipiras gospel? Devemos participar de tais atividades? Também não. Nesse segundo caso, não porque haja idolatria envolvida, mas porque há o perigo de associações indesejáveis. O ideal é que fortaleçamos nossa identidade cristã, bíblica e protestante, desvinculando-nos de qualquer aparência do mal (1Ts 5.22).
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O texto é de Misael Nascimento

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Em nome dos indefesos – uma voz contra o aborto


Este texto e do nosso querido amigo Rev. Olivar, achei muito bom e gostaria de compartilhar com os leitores do blog Coração Missionário. O texto original tinha uma imagem muito forte, então entrei no google para procurar uma imagem mais leve, mas fiquei muito chocado com outras imagem que tinha lá. Então mesmo que você não queira ler o artigo, entre no google e faça uma pesquisa com a palavra aborto e procure as imagens, se você não se chocar com isso, certamente tem um coração de pedra. Se você se chocar leia todo o artigo...



Um assunto que ainda vai gerar muita polêmica e discussão é o aborto. E entendo que a Igreja de Cristo deve se posicionar diante do assunto. Fechar os olhos, ignorar que este câncer e calar-se enquanto deveria ser a voz de Deus neste mundo contra tais pecados, é no mínimo negligência para com o chamado divino para que ela seja “sal da terra e luz do mundo”.

Antes de tudo, deixo bem claro que há um aborto que não é considerado pecado. É o que os éticos cristãos chamam de “aborto terapêutico”, o qual se faz necessário quando a vida da mulher está em risco. Depois de avaliação médica intensa constata-se que a gravidez deve ser suspendida, pois, do contrário, a mãe e a criança morrerão. Os demais casos de aborto, tais como uma gravidez indesejada, ou em caso de estupro, o aborto constitui-se um crime, portanto, um pecado. Proponho aqui dois “passos” que a Igreja de Cristo (para saber qual é a Verdadeira Igreja de Cristo, leia o artigo neste site intitulado “A unidade da Igreja de Cristo”) no que diz respeito ao pecado do aborto.

1) Um posicionamento Bíblico

Em vez de buscar base para sua argumentação em fatores sociológicos, psicológicos, políticos, etc., a Igreja de Cristo deve estar totalmente embasada na Bíblia e deixar que o que Deus tem a dizer sobre o assunto seja dito em alto e bom tom.

Aborto é assassinato, portanto, um pecado- Deus ordenou “Não matarás” (Êxodo 20.13). Qualquer pessoa em seu juízo perfeito condenaria o assassinato de uma criança recém-nascida, tenha ela algumas horas de vida ou alguns dias. Se alguém matá-la tal ato é considerado um crime por se tratar de um crime cometido contra um “indefeso”. Porque o assassinato duma criança no ventre de sua mãe não é visto como um crime? Porque não é visto como um ato cruel contra um ser totalmente indefeso? Isso nos remete a outra verdade:

Deus se relaciona com o ser humano antes dele estar no ventre materno porque o vê como pessoa- Não sei ao certo, mas, me parece que desde que a Medicina passou a chamar a criança no ventre materno de “feto” um certo desprezo pela vida. Mas, a Bíblia nos mostra que Deus se relaciona com o ser humano desde antes da gestação. Vários textos bíblicos relatam que Deus escolheu os seus não somente quando estes estavam no ventre materno, como é o caso do profeta Jeremias, de quem Deus disse: “Antes que eu te formasse no ventre materno, eu te conheci, e, antes, que saísses da madre, te consagrei, e te constituí profeta às nações” (Jeremias 1.5). O verbo “conhecer” aqui, traz consigo algo muito mais do que apenas “tomar conhecimento da existência de alguém” (o que por si só já seria um forte argumento contra o aborto); este verbo aponta para o fato de que Deus “conhecia profunda e intimamente” a Jeremias mesmo antes de sua formação no ventre materno.

Outro caso é o de João Batista, o primo de Jesus, de quem a Bíblia diz que seria cheio do Espírito Santo ”já do ventre materno” (Lucas 1.17).

O apóstolo Paulo foi mais além. Ele afirmou inspiradamente que Deus já havia estabelecido nos amar e salvar por meio de Cristo antes de tudo existir. Veja Efésios 1.4  “assim como nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele…”.

Quando lemos o Salmo 139.13-16 ficamos ainda mais admirados: “Pois tu formaste o meu interior tu me teceste no seio de minha mãe. Graças te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste; as tuas obras são admiráveis, e a minha alma o sabe muito bem; os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui formado e entretecido como nas profundezas da terra. Os teus olhos me viram a substância ainda informe, e no teu livro foram escritos todos os meus dias, cada um deles escrito e determinado, quando nem um deles havia ainda”.

De fato, precisamos olhar para uma criança no ventre da mãe não como um amontoado de células, ossos, cartilagens, etc., enfim, como uma coisa, um “material genético” e nada mais; precisamos e devemos olhar para essa criança como criança, como um ser humano em formação, mas, que aos olhos de Deus já tem todos os seus dias escritos (a vida) “cada um deles escrito e determinado, quando nenhum deles havia ainda”. Por isso mesmo, somente Deus tem o direito de tirar uma vida. Porém, conservá-la é o nosso dever.

Nesse momento até ouço alguém dizer: “Mas, pastor, o que será daquela pobre moça que foi estuprada e veio a engravidar do estuprador? Ela não teria o direito de interromper essa gravidez?”. E a resposta é “NÃO”. Se essa mulher foi uma vítima da maldade de um monstro, a criança no seu ventre é muito mais vítima. Não se resolve um mal com outro mal. Além disso, outras alternativas podem ser apresentadas, tais como a adoção. Contudo, se esta mãe entregar-se a Deus totalmente e clamar para que Ele coloque amor em seu coração por este ser indefeso, o amor nascerá e será infinitamente mais forte do que quaisquer lembranças dolorosas do crime do qual ela foi vítima.

No caso de uma gravidez indesejada, o próprio termo “indesejada” por si só aponta para o pecado que desgraça toda a humanidade: egoísmo. Uma gravidez é indesejada por vários motivos egoístas: “Minha carreira profissional”, “meus sonhos”, “meu corpo que será modificado”, etc. Sobre esse aspecto, dispenso-me de comentários. Eles, por si só mostram a perversidade dos corações.

O segundo “passo” que a Igreja de Cristo deve dar em relação ao assunto é ter:

2) Um posicionamento consolador, acolhedor e amoroso

A Igreja de Cristo deve condenar o aborto, mas estender seus braços para acolher mulheres que estão enfrentando o dilema de quererem praticar um aborto seja por quais motivos forem. Se for por motivos egoístas a opção por um aborto, a Igreja de Cristo deve mostrar a gravidade de tal pecado; se for por motivos como a gravidez em decorrência de um estupro, a Igreja de oferecer total ajuda a essa mulher, aparando-a a fim de que ela veja que Deus pode de um mal (estupro) fazer o bem (o amor por uma criança inocente).

O povo de Deus deve se engajar em movimentos lícitos contra o aborto; deve ficar atento a “clínicas” clandestinas em sua cidade e denunciá-las e envidar todos os esforços para fechá-las e condenar aqueles que lucram um absurdo contra a vida.

A Igreja de Cristo deve enfrentar se preciso for, as forças políticas que têm interesses dos mais torpes e escusos com a legalização do aborto, mas, nunca deixar suas portas fechadas para aquelas mulheres desorientadas e perturbadas em seus corações que pensam que o aborto será a solução. Antes, ela deve ser acolhedora, conselheira e consoladora recebendo em seu seio vidas destroçadas pelo pecado e pela culpa. Deve receber não só quem se encontra no dilema de abortar ou não abortar, mas, especialmente, aquelas mulheres que sofrem com a culpa de terem praticado um aborto.

Neste momento, se você que está lendo este artigo é essa pessoa que enfrenta esse dilema, ou se você conhece alguma mulher nessa situação ou que, até mesmo já tenha praticado um aborto e se encontra destruída em seu coração, coloco-me à sua disposição. Quero ajudá-la, quero ser uma bênção de Deus em sua vida mostrando-lhe o Amor de Deus que fará com que você ame essa criança em seu ventre.

Se você amar com o Amor de Deus, não assassinará a criança que está em seu ventre; se você desprezar essa criança com o desprezo que é resultado do seu pecado, eu clamo a Deus por misericórdia por sua vida e pela vida do ser humano que você carrega dentro do seu ventre.