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sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Crescimento Espiritual




"Por isso mesmo, vós, reunindo toda a vossa diligência, associai com a vossa fé a virtude"(...). (2 Pedro 1:3-11).

Crescimento espiritual requer um esforço decidido: “reunindo toda a vossa diligência.” O Ap. Pedro vê o processo do crescimento como se fosse uma corrente, cada elo é parte do outro. Se um elo estiver fraco, a  corrente toda fica enfraquecida.

O Apóstolo nos dá uma lista de oito elos, os quais são as dádivas impreteríveis para o nosso crescimento na graça e no conhecimento do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

“Fé” é a primeira dádiva nessa corrente espiritual e o incentivo para a presença das demais dádivas. Fé é  sempre “em” algo. Pela fé, cremos  “em” Jesus Cristo como o nosso Senhor e Salvador. Nele temos a redenção, o perdão dos nossos pecados e a esperança da vida eterna. A fé nos introduz à vida cristã. Mas, a partir dessa entrada, temos que adornar a nossa vida com muitas outras dádivas, a fim de sermos completos em Cristo.

Temos que “associar com a a nossa fé a virtude”, uma vida santa e irrepreensível, que é a evidência de Cristo direcionando a nossa vida.

Mas, precisamos de mais: “Com a virtude, o conhecimento”. Não podemos viver a vida cristã sem o conhecimento geral da vontade de Deus, que se encontra nas Escrituras Sagradas. Portanto, a necessidade inadiável de uma leitura sistemática e regular da Palavra de Deus.

“Com o conhecimento, o domínio próprio”, a dádiva de discernir a divisa entre a prática dos nossos próprios interesses e a prática  dos interesses de Deus. O nosso coração precisa do domínio próprio, a fim de glorificar a Deus na prática desses dois interesses. Não podemos ser faltosos em nenhum dos dois.

“Com o domínio próprio, a perseverança”. Quando discernimos a vontade de Deus, temos que praticar a perseverança. Andar resolutamente, dia após dia, no cumprimento da vontade de Deus, inclusive no meio de desencorajamentos, o que nem sempre é fácil. Precisamos da dádiva de perseverança, a fim de não  desmaiarmos no caminho.

“Com a perseverança, a piedade”, o temor de Deus constrangendo o nosso procedimento nos atos de culto. “Deus é espírito, e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade”, com uma reverência não fingida.

“Com a piedade, a fraternidade”. No culto público, estamos no meio de outros adoradores, irmãos e irmãs que, juntamente conosco, são herdeiros da mesma graça de vida. A cada um devemos aquele amor fraternal; levantando mãos santas, sem ira e sem animosidade.

“E com a fraternidade, o amor”. O amor é o cumprimento da lei de Deus, que ensina: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento; e amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Lc. 10:27).

Qual é a recompensa em adornar a nossa vida com essas oito dádivas de Deus? Em primeiro lugar, elas demonstram a nossa diligência no desenvolvimento da vida cristã. “Porque estas coisas, existindo em vós e em vós aumentando, fazem com que não sejais nem inativos, nem infrutuosos no pleno conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo”.

E, em segundo lugar, são as evidências de que Deus tem começado uma boa obra salvífica em nossa vida. “Pois aquele a quem estas cousas não estão presentes é cego.” Como podemos nutrir a esperança da vida eterna se não temos em nós os sinais vitais da vida cristã?

Eis a exortação: “Por isso, irmãos, procurai, com diligência cada vez maior, confirmar a vossa vocação e eleição.” Essa confirmação será reconhecida através da presença dessas oito dádivas de Deus agindo eficazmente em nossa vida. “Pois desta maneira é que vos será amplamente suprida a entrada no reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo”. Enquanto associamos uma dádiva com outra, Deus suprirá todas as demais necessidades para que tenhamos uma entrada ampla e vitoriosa no reino eterno do Sustentador da nossa fé. Eis a norma para alcançar a certeza da salvação.


Rev. Ivan G. G. Ross

sábado, 30 de novembro de 2013

A Parábola do Semeador



Um semeador saiu a semear... E, semeando, a semente caiu ao longo do caminho. No grande campo do mundo, na imensa seara das almas, você amigo, é presença e pessoa. E como presença e pessoa, você não pode fugir à responsabilidade de plantar a boa semente. Não diga jamais, no gesto de comodismo, na covardia da omissão: o solo é áspero, o sol queima demais, o grão não serve, é de segunda qualidade... Não lhe cabe julgar a terra, o tempo e as circunstâncias externas...

A sua função, amigo, é plantar. Plantar na fé, na esperança e no amor cristão. As sementes são abundantes e germinam facilmente: Um pensamento fraterno, um sorriso amigo, uma promessa de alento, um aperto de mão cordial, um conselho oportuno, um pouco de água, umas migalhas de pão...

Não plante descuidadamente, como alguém que apenas cumpre uma tarefa imposta. Como alguém que trabalha forçado, sem interesse. Plante com amor, com atenção, num clima de otimismo, como amigo sincero que busca construir... E ao semear, não pense jamais: quanto me darão em recompensa? Será gratificante a colheita? Recorde sempre que você não planta para enriquecer, que você não reparte para ser aplaudido. Você frutifica porque não pode viver sem dar, porque você não pode servir a Deus sem ir ao encontro dos seus irmãos.

A vida tem dessas compensações, amigo... Sempre que você reparte, na generosidade, sem pensar na colheita, sua riqueza se multiplica ao infinito... Por quê? Porque você semeia um reino! Um reino onde doar é receber, um reino onde perder a vida é encontrá-la, um reino onde morrer é ressuscitar!

Felizes todos aqueles que distribuem otimismo e esperança como se estivessem repartindo o seu próprio coração! Semeador da bondade, siga pela estrada afora sentindo a brisa mansa do Evangelho roçando sua fronte fraternal... Não estacione. Avance sorrindo, levando em sua bagagem tudo aquilo que você tem de bom. Não tenha medo das vigílias longas ou das madrugadas insones. Lembre-se, dia e noite, que o fruto nasceu para ser partilhado, distribuindo e ofertado. A glória é para o Pai, e a recompensa final acontecerá... só do outro lado! E a todos os que você encontrar, montanha acima, repita sempre o mesmo estribilho: Obrigado! Obrigado! Muito obrigado!

No grande campo do mundo, na imensa seara das almas, você é o semeador de um reino. Através do tempo, ao longo da história, você é responsável por todos aqueles que Deus colocar em seus caniinhos de viandante.

Um semeador saiu a semear. E, semeando na fraternidade, a semente caiu em terra fértil, frutificando na eternidade!!!

Rev. Ephraim Santos de Oliveira
Igreja Presbiteriana - Pouso Alegre, 08/12/1984

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Onde estão os Amigos de Verdade?






“... tenho-vos chamado amigos ...” (João 15.15)

Você tem um amigo de verdade? Uma pessoa que sabe de seus gostos, do que te agrada e do que te deixa triste? Você tem um amigo que te compreende, que te exorta quando você faz algo de errado e que te ajuda nos momentos difíceis? Se você respondeu não a estas perguntas, você não está sozinho.

Em nossos dias, são muitas as pessoas que não tem amigos ou apenas um amigo de verdade. No livro dos Provérbios (Pv 17.17) encontramos a bela advertência de Salomão que nos ensina a amar o amigo a todo tempo, mas grande parte das pessoas nãos tem nenhum amigo para amar e nem para lhe estender a mão nos dias difíceis.

Por esse motivo, muitos se sentem tristes e desamparados nos dias de angústias, pois amigos de verdade tem se tornado cada dia mais raro.

Por que não tenho amigos de verdade? Para respondermos essa pergunta com sinceridade devemos fazer uma outra pergunta: Por quê não sou um amigo de verdade? Você dedica tempo de qualidade a alguém que se considera seu amigo? Você o ouve com atenção? Você o ajuda ou você é daquele tipo de pessoa que diz que vai orar e nunca ora? No seu momento de devoção particular você coloca diariamente na presença de Deus seu amigo?

Isso nos faz perceber que (em muitos casos) não temos amigos de verdade simplesmente pelo fato de não sermos o que desejamos ter. Estamos ocupados demais e já temos problemas demais, e por esse motivo muitos preferem viver uma vida superficial com as pessoas que o cercam, numa demonstração horrível de arrogância e egocentrismo. Jesus nos diz que ele é nosso amigo (João 15.15), e tomando por base sua vida, podemos aprender a difícil e bela experiência de sermos um Amigo de Verdade.

Um primeiro modo de aprender a ser um bom amigo de verdade como Cristo é observando que ele sempre está perto. Não importava a circunstancia, Jesus nunca abandonou seus amigos. Jesus estava com seus amigos nos dias felizes, como em uma festa de casamento em Caná (João 2), assim como em dias difíceis como no dia de uma grande tempestade a qual ele acalma (Mateus 8.24) Os discípulos desfrutaram da presença desse seu amigo até a morte, pois ao ser assunto aos céus Jesus permanece presente pelo seu Espírito (Mateus 28.20). Alguns dos seus amigos do primeiro século morreram decapitados, outros serrados ao meio, outros ainda ao fio da espada, mas nem nesses momentos o Grande Amigo (Jesus) os abandonou.

Em segundo lugar podemos ver que Jesus se envolve com os problemas das pessoas que estavam à sua volta. Ele nunca se esquivou quando alguém precisou de sua ajuda, pois em muitos lugares o vemos sempre pronto a ajudar (Mateus 15.28). Mas a forma mais sublime de sua demonstração de envolvimento com os problemas das pessoas, foi o fato de ele se dispor a morrer por nossos pecados. Jesus nunca pecou, ele não precisava se envolver com nosso problema do pecado, mas por amor os seus amigos, ele se envolve de tal forma que se entrega à morte por amor destes.

E um último modo de sermos amigos como Jesus foi, é o de sermos encorajadores. Jesus jamais foi favorável à vida em pecado, mas por mais que seus amigos cometessem erros, ele nunca os repreendeu de forma que o desencorajassem a continuar numa vida que agradasse a Deus. Ao encontrar uma mulher surpreendida em adultério, não a condena a morte por seu pecado, mas a encoraja a viver de modo diferente (João 8.11). Ele encontra um homem corrupto e o encoraja a ser diferente (Lucas 19.8). Ele encontra um assassino e o encoraja a ser diferente, um seareiro em sua seara (Atos 9.4). E ainda encontra um amigo que o havia traído e faz dele um dos principais em sua obra (João 21.17).

Jesus tinha todos os motivos para não ter um amigo se quer, mas mesmo assim, por amor a nós, se envolve, permanece presente e encoraja aqueles a quem ele propôs ser amigo.
Aprendemos com isso que ser amigo não é fácil, e que o maior motivo de não termos amigos é que nós mesmos não nos dispomos a ser como o nosso Melhor Amigo (Jesus). Não temos tempos para ninguém alem de nós, não nos envolvemos nas dificuldades da vida que não sejam as nossas, e facilmente abandonamos alguém que dissemos que iríamos ajudar.

Que o modo de Vida de Jesus seja um exemplo a ser seguido por nós, e que consigamos não apenas ter um amigo, mas especialmente, sermos um amigo de verdade.

Por Rev. Wilson Ribeiro Ferreira

Igreja Presbiteriana Betânia

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Dez características da igreja que satanás gosta:


1-) A igreja que satanás gosta não é cristocêntrica. Muito pelo contrário, ela não prega Cristo.
2-) A igreja que satanás gosta não proclama o evangelho, nem tampouco anuncia a necessidade do pecador se arrepender de seus pecados, mediante a fé em Cristo Jesus.
3-) A igreja que satanás gosta vende indulgências, barganhando com Deus fórmulas mágicas para o enriquecimento e prosperidade de todos aqueles que desejam ser abençoados.
4-) A igreja que satanás gosta visa somente a satisfação do homem em todas as suas dimensões deixando de lado a necessidade de arrependimento e conversão por parte do pecador.
5-) A igreja que satanás gosta não proclama a salvação pela graça, mas sim pelos méritos do ofertante ou dizimista.
6-) A igreja que satanás gosta não valoriza a Palavra de Deus, antes, relativiza as Escrituras considerando-as desnecessárias ao amadurecimento do cristão.
7-) A igreja que satanás gosta é aquela que coloca em pé de igualdade os apóstolos da modernidade e as Escrituras Sagradas.
8 -) A igreja que satanás gosta é aquela que se preocupa em construir templos suntuosos e nababescos, deixando de lado o trabalho missionário.
9-) A igreja que satanás gosta é antropocêntrica, ensimesmada e focada na satisfação de todas as vontades humanas e jamais prega a cruz.
10-) A Igreja que satanás gosta ama cantar os sucessos gospel, mas odeia estudar as Escrituras e viver em santidade.
***

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

O Perigo da amargura


Hb 12.15:   “atentando, diligentemente, por que ninguém seja faltoso, separando-se da graça de Deus; nem haja alguma raiz de amargura que, brotando, vos perturbe, e, por meio dela, muitos sejam contaminados”.
Ef 4.31: “Longe de vós, toda amargura, e cólera, e ira, e gritaria, e blasfêmias, e bem assim toda malícia”.
O que estes dois textos têm em comum?
Ambos falam sobre:
O perigo da amargura
Gn 16.1-14

Gn 12.1-9
Deus chama a Abrão (“pai exaltado”) e lhe faz promessas – dentre elas a de que ele seria um grande patriarca.
Abrão tinha 75 anos então,e Sarai, sua esposa, 65 anos e ela era estéril.
A partir desse dia, Deus passou a ser o Deus de Abrão.
Gn 15
O SENHOR torna a visitar Abrão.
Alguns anos se passaram e Abrão ainda não havia recebido a bênção de ser pai.
Deus promete a ele um filho (v.4,5);
“Ele creu no SENHOR, e isso lhe foi imputado para justiça” (v.6).
O SENHOR  fez aliança com Abrão (v.18).
Gn 16.1-14
Certamente Sarai sabia de tudo isso que aconteceu. Mesmo assim deixou-se envenenar pela amargura.
Naquela época, a esterilidade era tida como maldição por causa de pecado.
Nem mesmo isso é motivo para deixar o coração ser tomado pela amargura. Deus havia feito a promessa, e só isso bastaria para que ela não se deixasse levar pela amargura.
Por que devemos evitar a amargura?
Porque ela nos leva:
1) A revoltarmos contra Deus, v.2.
As palavras de Sarai revelam um certo teor de amargura: “disse Sarai a Abrão: Eis que o SENHOR me tem impedido de dar à luz filhos; toma, pois, a minha serva, e assim me edificarei com filhos por meio dela. E Abrão anuiu ao conselho de Sarai”.
Nessas palavras vemos:
-Impaciência: ela não queria mais esperar;
-Amargura: para ela Deus é quem a impedira de gerar até então.
-Idolatria: “…e assim me edificarei com filhos…”. Seu coração não tinha Deus como o centro e como sua satisfação – isso é idolatria.
Sua revolta é vista quando:
-Ela usa de meios próprios para obter o que ela queria – Hagar e Abrão.
-Quando ela culpa a Deus por sua esterilidade.
A amargura nos atrapalha de confiarmos totalmente em Deus e nos leva a revoltarmos contra Ele. Por mais que estejamos sofrendo não temos motivos para nos revoltar contra Deus.
A amargura nos leva:
2) A culparmos os outros pelos nossos sofrimentos, v.4,5.
Sarai arquitetou um plano, ao qual Abrão anuiu. Hagar engravidou e assim começou a desprezar Sarai (v.4). Então Sarai  se voltou para a Abrão e disse: “Seja sobre ti a afronta que se me faz a mim. Eu te dei a minha serva para a possuíres; ela, porém, vendo que concebeu, desprezou-me. Julgue o SENHOR entre mim e ti” (v.5).
Abrão também teve culpa.
Mas Sarai estava cega pela amargura, pois, foi incapaz de perceber que foi ela quem arquitetou tudo aquilo, e, que, agora, estava colhendo o que plantara.
Essa atitude amargurada de culpar as pessoas nos leva:
3) A causarmos sofrimentos aos outros, v.6-8.
A amargura de Sarai levou-a à vingança: “humilhou-a…”
Sua vingança trouxe medo à Hagar: “…e ela fugiu de sua presença”.
Esse é o resultado final de um coração amargurado: ele causa sofrimentos às outras pessoas.
Pessoas amarguradas são infelizes e fazem os outros infelizes também.
Tais  pessoas   não   somente culpam as outras pelo seu sofrimento e fracasso, como ainda causam dores e danos aos outros.
São incapazes de ver seu próprio pecado, e, se o veem, fazem questão de apontar para os pecados dos outros, escondendo-se atrás de uma máscara de santidade (“Julgue o SENHOR entre mim e ti”, v.5).
Aplicação
Como vencer a amargura?
1) Observe seu coração
-Seu coração é traiçoeiro: ele irá culpar os outros e nunca a você pelos seus erros.
-Corte o mal pela raiz: qualquer raiz de amargura pode se transformar numa árvore que lançará sombra e sujeira em outros corações.
2) Purifique seu coração
Amargura é pecado, e pecado só é resolvido com:
-Confissão (1Jo 1.9),
-Despojamento do pecado e revestimento da santidade de Cristo (Ef 4.22-24).
3) Perdoe e se reconcilie de coração
Quando ficamos amargurados com as pessoas, pecamos contra elas. Por isso devemos pedir perdão e perdoá-las pelo mal que nos fizeram ou pelo bem que não nos fizeram.
Sem perdoarmos as pessoas, nossa comunhão com Deus fica comprometida (Mt 5.23,24).
4) Confie em Deus
Não fique buscando nas circunstâncias ou nas pessoas uma explicação para o seu comportamento pecaminoso. A amargura nos atrapalha de confiarmos totalmente em Deus e nos leva a revoltarmos contra Ele.
Se as coisas não saíram do jeito que você esperava, confie em Deus; Ele está sempre no comando de tudo e usará de todas as situações para moldar o seu coração (Rm 8.29,30).
Conclusão
v.13: “Tu és o Deus que vê (…) Não olhei eu neste lugar para aquele que me vê?”.
Deus não somente está vendo os nossos sofrimentos como também os sofrimentos que causamos nos outros. Ele é justo e bom para tirar a nossa alma do poço de amargura em que ela mergulhou, como também fará justiça por aqueles a quem causamos males com a nossa amargura.
Rev. Olivar Alves Pereira

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

For Annie




“Ninguém se deu conta quando Annie estava chorando. As pessoas estavam ao redor, mas ela ainda assim estava sozinha (...) Ninguém sabia de seu desespero, as pessoas não ouviam seus gritos silenciosos. Trancada no banheiro, ela pega um vidro de comprimidos. O remédio que cura se torna o veneno que mata.
E agora é tarde demais para Annie
Ela se foi pra sempre”

Esse é um pequeno trecho da música “For Annie”, que conta a triste história de uma menina que, num ato de desespero, deu fim à sua vida. Sem dúvida, para Annie, tudo está acabado, ela morreu física e espiritualmente.

Hoje em dia, vemos muitas histórias parecidas com de Annie. Pessoas que não conseguem carregar o fardo da vida e, num ato inútil, dão cabo dela, direta ou indiretamente, sem pensar nas conseqüências eternas para sua alma.

O compositor continua:

“Há tanta coisa que poderíamos dizer a ela, e agora é impossível. Porque é tarde demais, tarde demais para Annie (...) Poderíamos dizer que Jesus a ama, que Jesus se importa. Dizer que Ele pode libertá-la, e carregar seus fardos. Mas é tarde demais, tarde demais para Annie”.

Ficamos perplexos com a situação, e em nossas mentes aparecem  centenas de coisas que poderíamos ter dito, mas não dissemos. Como cristãos, poderíamos ter falado de Jesus, mas ficamos calados. Annie não ouviu essas palavras de Cristo:

“Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; eu não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize.” (João 14:27)“Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei”  (Mateus 11:28).

Mas, se para essa Annie está tudo perdido, devemos pensar nas milhares de “Annies” que estão no mundo, e muitas vezes, até mesmo do nosso lado! 

“E ainda não é tarde demais para Annie
Ela pode estar perto de você
Não perca a chance de dizer a ela antes que se torne impossível
Temos que dizer que Jesus a ama, que Jesus se importa
Não é tarde demais...”




Música:  For Annie -  Petra
Adaptação: Presb. Daniel Moura - IPBV

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

ORAI UNS PELOS OUTROS



“Confessai, pois, os vossos pecados uns aos outros e orai uns pelos  outros...” Tg 5.16

Alguém já disse que: A oração intercessória é a mais alta forma de serviço cristão. Interceder é pedir, clamar, rogar por outro junto ao SENHOR Deus. O Espírito Santo através de Tiago deu este mandamento à Igreja: “orai uns pelos outros”. Cumprir este mandamento é necessário para construir um bom e firme relacionamento.

Há na Bíblia Sagrada, uma variedade de registros de pessoas intercedendo por outros. O profeta Samuel recebeu um pedido para orar em favor do povo de Israel, veja qual foi a sua resposta: “Quanto a  mim, longe de mim que eu peque contra o SENHOR, deixando de orar por  vós...” ISm 12.23.

Irmãos! Quando deixamos de orar uns pelos outros, estamos  desobedecendo, transgredindo um mandamento; portanto, estamos pecando. O Senhor Jesus é o maior exemplo de oração intercessória. Ele  intercedeu por Pedro: “Eu roguei por ti” Lc 22.32, e, momento antes de deixar este mundo, intercedeu junto ao Pai em favor dos seus presentes e futuros discípulos: “É por eles que eu rogo; não somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua Palavra” Jo 17.9,20 E nós, seus servos, devemos imitá-Lo, seguir o Seu  exemplo: “orar uns pelos outros”, como é encorajador ouvir de um irmão esta afirmação: Estou orando por você!


Rev. Odair Reges (I. P. Betel – SJC)

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Filhos que não se importam com Deus. Seu filho é um desses?



Criar filhos não é uma tarefa fácil, especialmente, se o nosso objetivo em cria-los for conduzi-los até Cristo e ensinar-lhes a vontade de Deus para que se submetam a Ele. Tenho visto muitos pais crentes fracassarem nessa tarefa, e oro a Deus para que eu não fracasse também.

No presente encontramos uma triste história envolvendo a vida de um sacerdote de Deus, o sacerdote Eli. A descrição que a Bíblia faz de seus dois filhos, Hofni e Fineias é terrível: “Eram, porém, os filhos de Eli filhos de Belial”. Essa expressão “filhos de Belial” é carregada de um significado muito triste. Em nota, a Bíblia de Estudo de Genebra explica que essa expressão hebraica conota pessoas vis, sem valor. É usada a respeito daqueles que incitam à idolatria (Dt 13.13) ou à insurreição (1Sm 10.27; 2Sm 16.7; 20.1); que são sexualmente imorais (Jz 19.22); ou que são mentirosos (1Rs 21.10,13).

Além disso, a Bíblia também diz que eles “não se importavam com o SENHOR” (v.12), ou seja, não conheciam a Deus. Tomando essas palavras quero refletir sobre: Filhos que não se importam com Deus – Seu filho é um desses?

De antemão é preciso afirmar que toda criança nasce predisposta a não se importar com Deus pelo fato de serem pecadoras desde o ventre materno. Portanto, pais crentes, vocês têm uma tarefa muito grande e árdua pela frente, a saber, ensinar seus filhos a se importarem com Deus, a darem a Ele não só importância, mas, sim, máxima importância, leva-los a ver que não há bem, pessoa ou objetivo maior e mais importante nessa vida do que viver para a glória de Deus.

Filhos que não se importam com Deus

1)      São desregrados, v.13,14

Quando Deus estabeleceu as leis para os sacerdotes, deixou claro que eles poderiam retirar parte da carne dos sacrifícios para o sustento deles (Lv 7.28-36; Dt 18.1-8). Porém, os filhos de Eli se comportavam com ganância e pegavam mais do que lhes era permitido. Eles não tinham qualquer zelo pela regra divina, pelo contrário eles se importavam somente em satisfazerem sua própria vontade.

Ser desregrado significa não somente não ter nenhuma regra, mas, principalmente quebrar regras estabelecidas. Tal comportamento conota rebeldia.

Filhos que quebram as regras estabelecidas por seus pais com muita facilidade quebrarão as regras da Palavra de Deus, até mesmo porque se estiverem desobedecendo seus pais já estarão desobedecendo a Palavra de Deus (veja Ef 6.1-3).

É importante observarmos ainda que o desregramento deles vinha acompanhado de ganância. Filhos desregrados são gananciosos e egoístas, pois, a única coisa que lhes importa é a satisfação da sua própria vontade.

Filhos que não se importam com Deus

2) Desprezam o Seu culto, v.15-17

Os filhos de Eli desprezavam o culto do Senhor, e isso fica evidente quando vemos a forma desrespeitosa como eles tratavam os sacrifícios dedicados a Deus.

Os sacrifícios sempre ocuparam um papel muito importante no culto a Deus nos tempos do Antigo Testamento. Diferentemente dos cultos pagãos que pensavam que os sacrifícios eram uma forma de aplacar a ira dos deuses; no culto a Deus os sacrifícios tinham como objetivo mostrar às pessoas o princípio de culto mais importante em toda a Bíblia: um inocente morrendo no lugar do pecador. Tal princípio aponta para o Senhor Jesus Cristo que, inocente, morreu no lugar dos pecadores.

Filhos que não se importam com Deus não dão a mínima importância para o culto do Senhor. Para eles, o culto é um evento do qual eles podem estar ausentes por não ser algo importante. Veem o culto como algo sem importância, e quando vêm à Igreja comportam-se com desrespeitosamente.

Filhos que não se importam com Deus

3) Revelam a irresponsabilidade dos pais, v.22-29

Além do desrespeito para com o culto do Senhor, eles eram imorais. Em Êx 38.8 lemos que foram constituídas mulheres para servirem à porta da tenda da Congregação. Os filhos de Eli se prostituíam com elas, agindo como os pagãos que tinham sacerdotisas que eram prostituas cultuais. Tal prática foi condenada por Deus (Dt 23.17-18). Eli ouvia sobre a má fama de seus filhos. Ele chegou até a repreendê-los com palavras (v.23-25), coisa que muitos pais fazem, mas, param aí. Não basta somente “falar” com os nossos filhos, temos também de tomar todas as medidas cabíveis de acordo com a Palavra de Deus para corrigi-los. Eli só ficou nas palavras. E isso não passou despercebido aos olhos de Deus.

No v.29 Deus acusa a Eli de honrar mais a seus filhos do que a Ele “E, tu, por que honras a teus filhos mais do que a mim, para tu e eles vos engordardes das melhores de todas as ofertas do meu povo de Israel?”.

Veio um profeta de Deus, de quem não sabemos o nome, e este revelou a Eli a palavra de Deus. Primeiramente, Deus lembrou Eli da Sua aliança com sua família para com a qual Eli foi relapso (v.27,28). Depois falou-lhe sobre como ele desonrou o culto a Deus juntamente com seus filhos.

Uma coisa que como pais não podemos esquecer é que somos os responsáveis por eles perante Deus.

Muitos pais optam por apenas falar com seus filhos e não tomam nenhuma outra medida mais firme e enérgica com eles a fim de mostrar-lhes o seu pecado. Em pouco tempo, esses pais deixarão de falar com eles porque a tensão será tão grande que será preferível a esses pais deixar os filhos seguirem seus caminhos tortuosos. Mas, observe o que a Bíblia diz no v.25: “Entretanto, não ouviram a voz de seu pai, porque o SENHOR os queria matar”.

Pais que se mostram relaxados com a disciplina de seus filhos frequentemente dizem: “Ele já é um homem, e errar faz parte do processo de aprendizagem, e, além disso, é humilhante para um rapaz nessa idade ser repreendido assim”. Observe que isso é justamente isso que a Bíblia chama de honrar mais os filhos do que a Deus.

E justamente por agirem assim, filhos que não se importam com Deus

4) Causam sofrimentos à sua família toda, v.30-36

A Bíblia declara que Deus é fiel mesmo quando somos infiéis (2Tm 2.13). Sim, Ele prometeu abençoar os que andam em obediência a Ele assim como prometeu castigar aqueles que O desobedecerem e O desonrarem. É justamente isso que Ele diz aqui no v.30: “Longe de tal coisa, porque aos que me honram, honrarei, porém os que me desprezam serão desmerecidos”.

O verbo “honrar” é muito importante na história da família de Eli. Por terem desonrado a Deus (tanto Eli como seus filhos) colheram terrível desonra sobre a sua casa.

Deus prometeu que a casa de Eli perderia o sacerdócio (v.31), a Arca da Aliança seria roubada pelos inimigos (v.32 “E verás o aperto da morada de Deus”), e, que, Hofni e Fineias ambos cairiam mortos no mesmo dia (v.34). No Cap.4 vemos que a desgraça na casa de Eli foi terrível. A Arca da Aliança foi roubada pelos filisteus, Hofni e Fineias caíram mortos, e quando souberam dessas notícias, Eli (que tinha 98 anos) estando assentado em sua cadeira caiu para trás e quebrou seu pescoço e assim ele morreu. Sua nora, esposa de Fineias de quem estava grávida ao saber de tudo isso entrou em trabalho de parto. O nome que ela deu ao seu filho assinalou a desgraça que sobreveio à casa de Eli. Ela o chamou de Icabô que quer dizer: “Foi-se a glória de Israel” (4.21,22).

Quando Deus não é honrado nos corações, estes corações experimentam o vazio da glória de Deus que os deixa em seu estado lastimável de pecado.

Confesso que olhando para muitas famílias que hoje estão sofrendo com a desobediência de seus filhos, duas terríveis verdades me saltam aos olhos: (1) esses filhos tiveram a infelicidade de terem pais que se preocuparam mais com o conforto de seus filhos do que com o confronto de seus pecados – honraram mais seus filhos do que a Deus; (2) o sofrimento deles está apenas começando; coisa muito pior está para lhes acontecer se não mudarem de postura em relação aos seus filhos e a Deus.

O que Deus quer que você faça?

Talvez você esteja se perguntando se há alguma esperança para você. Quero que você saiba que há sim, basta observar os seguintes preceitos:

1) Ensine seu filho a amar a Deus e as coisas Dele. Ao contrário do que muito pensam, é possível ensinar alguém a amar, porque o amor é uma atitude. Ensine seu filho a amar a Deus acima de tudo. Como? Ensinando-o a ser respeitoso e zeloso com as coisas de Deus. Por exemplo: no Dia do Senhor não assuma nenhum outro compromisso, não busque a satisfação pessoal no lazer, passeios, ou coisa parecida, mas, vá com seu filho à Casa do Senhor, e lá, ensine-o a se comportar corretamente no culto. Em casa, cultive vida devocional com seus filhos. Eli criou seus filhos no templo, mas, não os ensinou a amar a Deus. Alguém pode alegar que trazer os filhos na Igreja não é garantia de que eles permanecerão na presença de Deus, e isso é verdade. Mas, a esses pais eu respondo dizendo: então experimente cria-los longe da casa de Deus; com certeza as possibilidades deles crescerem amando a Deus serão muito, muito menores.

2) Empregue todos os meios bíblicos na disciplina de seus filhos.  Em Ef 6.4 a Bíblia nos ordena criarmos nossos filhos “na disciplina e na admoestação do Senhor”. A disciplina aqui conota todos os recursos “físicos”, tais como o uso da vara, retirada de privilégios, aumento de responsabilidades, enquanto que a admoestação está relacionada às palavras, às conversas, às instruções por meio oral. Se você é daqueles que só fala com seus filhos, mas, não age, você está fazendo só a metade do que Deus manda, e obediência pelas metades é desobediência do mesmo jeito.

3) Ore por seus filhos, ore com seus filhos. A oração é uma ferramenta muito especial que Deus nos dá na educação dos nossos filhos, pois, mostra a nossa total dependência de Deus. Como pais, temos o dever de ensinar nossos filhos a dependerem de Deus. Um dos atos mais covardes que nós pais podemos ter em relação aos nossos filhos é cria-los para serem dependentes de nós e não de Deus. Com a nossa partida, eles ficam sem rumo.

Conclusão

Nunca se esqueça de que os seus filhos não são seus, mas, sim, de Deus. Portanto, crie-os do jeito que Deus quer; você não tem o direito de cria-los como bem entende.

Rev. Olivar Alves Pereira

quinta-feira, 11 de julho de 2013

LUTAR COM DEUS OU CONTRA DEUS


 Gênesis 32:22-32 

“Como príncipe lutaste com Deus”.  Lutar com Deus. É admissível? Jacó, o suplantador, não foi o único a ter essa experiência. Outros servos de Deus, em épocas e circunstâncias diferentes iriam tê-la. Um deles, o filósofo espanhol Miguel de Unamuno, já falecido, dizia: A minha vida não é comungar, mas lutar com Deus, desde o crepúsculo da manhã até o anoitecer como se diz ter Jacó lutado com o anjo”.  Evidentemente que não se tratava de uma luta no plano físico, corporal, mas noutra esfera, da mente e da alma. Então: teria sido a luta de Jacó uma competição em termos de força física? Ou teria sido uma porfia de caráter moral, psicológico e espiritual?  
Os estudiosos contemporâneos dão a essa escritura um sentido muito mais nobre e reverente do que aquele que, à primeira vista, se lhe poderia atribuir. Ei-lo: O escritor sagrado teria recorrido à imagem antropomórfica muito viva para designar uma luta que se passou não fora de Jacó, mas estritamente na consciência deste. O suplantador, depois de muitas fraudes, via-se de regresso a casa sabendo que seu irmão Esaú lhe ia ao encontro com 400 homens. O perigo de morte, que então enfrentava, o fez cair em si. Tomando consciência dos atos injustos que cometera, julgou ter chegado a hora de sofrer o castigo de Deus. O abatimento a que este pensamento o reduziu equivalia para ele a uma agonia ou luta. O patriarca, porém, não morreu nessa crise; ao contrário, conseguiu sair da depressão. Com efeito, o Senhor lhe deu a conhecer que o pouparia, embora o pudesse derrotar. Não o amaldiçoaria, mas o tornaria, daí por diante, divinamente forte contra os homens, Israel, ou seja, o portador das inabaláveis promessas e bênçãos messiânicas. Jacó, para o futuro, não seria o suplantador que vence por meios fraudulentos, mas aquele que sabe contar com o auxílio de Deus mais do que com a própria habilidade. O defeito deixado na coxa de Israel lembrar-lhe-ia a impotência do seu poder humano e a prepotência de Deus, que liberalmente outorga a vitória ao indivíduo que Ele escolhe.  
De qualquer modo interpretando, uma coisa é certa: Ali, no vau de Jaboque, naquela madrugada, ele teve a experiência mais dramática de sua vida, responsável pela transformação que nele se operou, ou seja, de Jacó enganador para Israel batalhador! Bem, deixemos de lado a controvérsia em torno de assunto tão polêmico. Mas, se não é admissível, ou é, uma vez entendida a luta em termos de experiência muito íntima com Deus, que dizer do atrevimento de M. Unamuno e da ousadia do próprio tema desta noite? Aqui propomos duas considerações:  

a) O Antigo Testamento nos apresenta vários personagens em situação de crise aflitiva que ilustram nossos comentários. Exemplo: Moisés “risca-me do teu livro”; Elias “basta, toma agora, ó Senhor, a minha alma”; Job “Pereça o dia em que nasci”; o salmista Asafe “quando o coração se me amargou e as entranhas se me comoveram eu estava irreconhecível”; Jeremias “Justo és, ó Senhor, quando entro contigo num pleito; contudo falarei dos teus juízos”; Habacuque ”Até quando, Senhor, clamarei eu e tu não me escutarás? Oséas “O Senhor nos despedaçou...Ele fez a ferida! 

b) O discernimento comum sobre esses exemplos saberia diferenciar entre lutar com Deus e lutar contra Deus! Lutar com Deus revela conhecimento íntimo da sua natureza de Pai amoroso e bom; revela confiança, revela espírito de intensa comunhão. Se quisermos um exemplo do que estamos falando, o colheremos no seguinte depoimento: Há algum tempo foram enfeixadas num livro, e publicadas, algumas cartas que o nosso amigo e contemporâneo, escritor Frei Beto, enviou para amigos, parentes e irmãos, quando se encontrava preso, sob a injusta acusação de anarquista. Entre elas se destaca uma destinada à sua irmã Cecília. Eis o seu teor: 
 “O amor que te dedico é grande como a distância que nos separa. Na tua simplicidade e no teu silêncio há qualquer coisa que sempre me tocou profundamente. És uma daquelas raras pessoas que sabem sempre ser pobres e possuem por isso uma imensa riqueza interior. Há em ti muitas coisas que correspondem à imagem que faço de Maria. Talvez porque não deves fazer nenhum esforço para amar a Deus. Ele te ama e isso se traduz claramente em tua vida. Minhas relações com Deus são muito diferentes, vivo em luta com Ele, discuto, me enraiveço, nunca estou satisfeito... Deus me arrancou da família ainda muito jovem e pôs sobre os meus ombros um jugo muito pesado, e me enviou a outras terras no meio de gente desconhecida. A ti Ele nada pediu de semelhante, não te impôs um jugo e nem te separou da família. Eu Lhe resisti, mas Ele venceu e me levou a uma vocação que nunca pensei ter... Olha um pouco o que Ele fez de mim: Me levou de cidade em cidade, me permitiu fazer belas amizades de que tive de separar-me, me arrastou por caminhos estranhos, me tornou notícia de primeira página nos jornais, permitiu que eu acabasse nessa prisão. Por vezes eu me pergunto: Até quando, Senhor? E tenho a impressão de que Ele ainda não se cansou de exigir de mim muito mais do que tudo que posso dar. Houve dias em que só me mantive de pé porque Ele o quis. Se dependesse de minhas forças, teria caído mil vezes. No mais fundo de mim mesmo peço a Deus de ser como tu, cheio de paz, com uma fé límpida e transparente como a água das montanhas. Não consigo! Ele quer que eu viva entre tempestades e ciclones, e sou obrigado a sustentar-me no fio de fé  que Ele me  concede. Minha irmã, o verdadeiro drama é que Deus confia demais em Nós. Quer que sejamos sua presença junto aos homens...Imagino que tua prece seja toda feita de silêncio. Eu, pelo contrário, não oro; discuto. Quando o faço, coloco uma série de problemas, ofereço sugestões, propostas, analiso, etc. Há dias em que tenho a impressão de que Ele não queira mesmo escutar-me... No entanto, insisto. Peço uma coisa, Ele me dá outra. Falo de certa maneira, Ele entende de outra. Talvez venha a ser assim até o dia em que nos encontraremos face a face... Poremos então os pingos nos is”.  
Aí está o exemplo, repito, de alguém que luta com Deus como Jacó. Agora, lutar contra Deus, e não é preciso mencionar exemplos, é atitude de Quem o conhece de longe, por informação, e conhece muito mal. Por isso mesmo abre greve contra Ele. Para reforçar essas considerações  sobre o tema em pauta, ou seja, lutar com e lutar contra, permitam-me ilustrar: quando estudante, na década de 60, imerso em profunda crise existencial, ouvi de um experiente pastor muito piedoso e bom amigo, o seguinte: a sua aflição reflete a justificável e sensível preocupação com a realidade sofredora da humanidade. Mas não se esqueça do seguinte: jamais se afaste da mística da evangelização, ou seja, dos mistérios da fé que se resumem na encarnação, expiação e ressurreição.   
Concluindo: lutar com Deus significa abrir o coração e apresentar-lhe as nossas mágoas, dúvidas, perplexidades, esse turbilhão de emoções que nos agita na intimidade, quando entramos no recesso da comunhão com Ele. Lutar contra Deus, repito, é fazer greve, a única que, mesmo não sendo ilegal, pois Ele não obriga ninguém a amá-lo, jamais produz resultado positivo ou favorável. E como ocorre essa greve? Negando as bênçãos recebidas, rejeitando os recursos (meios de graça) para superar as dificuldades, afastando-se dos meios próprios e adequados, culpando e responsabilizando a Deus pelos erros humanos, consequência natural da vida...  
Portanto, atentemos e nos capacitemos do seguinte: o plano pessoal e íntimo de relacionamento com Deus está a critério de cada um conforme as circunstâncias que nos envolvem. Cuidemos, porém, para que não seja equivalente a greve.  


Rev. Ephrain Santos de Oliveira 
pastor jubilado 
Igreja Presbiteriana