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quarta-feira, 26 de março de 2014

Teologias da prosperidade

Lamentavelmente em boa parte dos cultos evangélicos do país é possível encontrarmos ênfases e doutrinas absolutamente antagônicas aos ensinos das Escrituras. Nessa perspectiva não somente a palavra pregada em nossos encontros dominicais, mas também as músicas entoadas em nossas reuniões estão desprovidas de verdades bíblicas que em muito afrontam a Deus.
Isto posto, elenco abaixo cinco razões básicas porque as teologias da prosperidade e confissão positiva ofendem a Deus:
1- Pelo fato de inequívoco de que as teologias da prosperidade e confissão positiva não encontram fundamento bíblico nas Escrituras, afrontando o principio protestante da Sola Scriptura.
2- Pelo fato indiscutível de que as teologias da prosperidade e confissão positiva são antropocêntricas, humanistas e absolutamente focadas no bem estar do homem e não na glória de Deus afrontando assim a verdade de que a glória pertence somente a Deus (Soli Deo Gloria)
3- Pelo fato inquestionável de que as teologias da prosperidade e da confissão positiva ofendem a Cristo, colocando no foco do culto homens falíveis, cujos ministérios são messiânicos, ensimesmados e blasfemos, opondo-se assim ao ensino bíblico de que a salvação da ira vindoura deve-se exclusivamente a Cristo (Solus Christus)
4- Pelo fato irrefutável de que as teologias da prosperidade e da confissão positiva pregam e defendem a fé na fé, afirmando entrelinhas que a salvação deve-se por obras,e não por Cristo afrontando com isso a doutrina bíblica de que a salvação se dá pela fé (sola fide) em Cristo Jesus.
5- Pelo fato irrefragável de que as teologias da prosperidade e confissão positiva negam entrelinhas a salvação pela graça ensinando aos crentes que a salvação em Cristo se deve a contribuições, ofertas, dízimos e primícias, negando com isso o pressuposto bíblico de que a salvação se deve exclusivamente pela graça (Sola Gratia).
Pense nisso,
Renato Vargens
***
Fonte: Blog do Renato Vargens.

sábado, 30 de novembro de 2013

A Parábola do Semeador



Um semeador saiu a semear... E, semeando, a semente caiu ao longo do caminho. No grande campo do mundo, na imensa seara das almas, você amigo, é presença e pessoa. E como presença e pessoa, você não pode fugir à responsabilidade de plantar a boa semente. Não diga jamais, no gesto de comodismo, na covardia da omissão: o solo é áspero, o sol queima demais, o grão não serve, é de segunda qualidade... Não lhe cabe julgar a terra, o tempo e as circunstâncias externas...

A sua função, amigo, é plantar. Plantar na fé, na esperança e no amor cristão. As sementes são abundantes e germinam facilmente: Um pensamento fraterno, um sorriso amigo, uma promessa de alento, um aperto de mão cordial, um conselho oportuno, um pouco de água, umas migalhas de pão...

Não plante descuidadamente, como alguém que apenas cumpre uma tarefa imposta. Como alguém que trabalha forçado, sem interesse. Plante com amor, com atenção, num clima de otimismo, como amigo sincero que busca construir... E ao semear, não pense jamais: quanto me darão em recompensa? Será gratificante a colheita? Recorde sempre que você não planta para enriquecer, que você não reparte para ser aplaudido. Você frutifica porque não pode viver sem dar, porque você não pode servir a Deus sem ir ao encontro dos seus irmãos.

A vida tem dessas compensações, amigo... Sempre que você reparte, na generosidade, sem pensar na colheita, sua riqueza se multiplica ao infinito... Por quê? Porque você semeia um reino! Um reino onde doar é receber, um reino onde perder a vida é encontrá-la, um reino onde morrer é ressuscitar!

Felizes todos aqueles que distribuem otimismo e esperança como se estivessem repartindo o seu próprio coração! Semeador da bondade, siga pela estrada afora sentindo a brisa mansa do Evangelho roçando sua fronte fraternal... Não estacione. Avance sorrindo, levando em sua bagagem tudo aquilo que você tem de bom. Não tenha medo das vigílias longas ou das madrugadas insones. Lembre-se, dia e noite, que o fruto nasceu para ser partilhado, distribuindo e ofertado. A glória é para o Pai, e a recompensa final acontecerá... só do outro lado! E a todos os que você encontrar, montanha acima, repita sempre o mesmo estribilho: Obrigado! Obrigado! Muito obrigado!

No grande campo do mundo, na imensa seara das almas, você é o semeador de um reino. Através do tempo, ao longo da história, você é responsável por todos aqueles que Deus colocar em seus caniinhos de viandante.

Um semeador saiu a semear. E, semeando na fraternidade, a semente caiu em terra fértil, frutificando na eternidade!!!

Rev. Ephraim Santos de Oliveira
Igreja Presbiteriana - Pouso Alegre, 08/12/1984

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Dez características da igreja que satanás gosta:


1-) A igreja que satanás gosta não é cristocêntrica. Muito pelo contrário, ela não prega Cristo.
2-) A igreja que satanás gosta não proclama o evangelho, nem tampouco anuncia a necessidade do pecador se arrepender de seus pecados, mediante a fé em Cristo Jesus.
3-) A igreja que satanás gosta vende indulgências, barganhando com Deus fórmulas mágicas para o enriquecimento e prosperidade de todos aqueles que desejam ser abençoados.
4-) A igreja que satanás gosta visa somente a satisfação do homem em todas as suas dimensões deixando de lado a necessidade de arrependimento e conversão por parte do pecador.
5-) A igreja que satanás gosta não proclama a salvação pela graça, mas sim pelos méritos do ofertante ou dizimista.
6-) A igreja que satanás gosta não valoriza a Palavra de Deus, antes, relativiza as Escrituras considerando-as desnecessárias ao amadurecimento do cristão.
7-) A igreja que satanás gosta é aquela que coloca em pé de igualdade os apóstolos da modernidade e as Escrituras Sagradas.
8 -) A igreja que satanás gosta é aquela que se preocupa em construir templos suntuosos e nababescos, deixando de lado o trabalho missionário.
9-) A igreja que satanás gosta é antropocêntrica, ensimesmada e focada na satisfação de todas as vontades humanas e jamais prega a cruz.
10-) A Igreja que satanás gosta ama cantar os sucessos gospel, mas odeia estudar as Escrituras e viver em santidade.
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quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Preparando a Próxima Geração de Adoradores



Quero aqui chamar a sua atenção para refletir sobre a sua principal tarefa na criação de filhos.

Sua principal tarefa como pai (e mãe), não é a de fazer seu filho ter sucesso profissional, ficar rico, ser um líder no trabalho, nem mesmo entregar à Sociedade um “cidadão de bem”, como ouvimos as pessoas dizerem por aí. O seu principal papel no que diz respeito à criação dos seus filhos é prepara-los para serem verdadeiros adoradores do Senhor Deus.

A Bíblia diz que: “Herança do SENHOR são os filhos; o fruto do ventre, seu galardão” (Sl 127.3). Em lugar algum a Bíblia diz que os filhos são empecilhos para nós, ou um problema. Ela diz que eles são “herança do SENHOR”, e são “galardão” de Deus para nós, ou seja, benção de Deus. É claro que filhos que não foram criados com os princípios da Palavra, ou que decidiram desobedecer a esses princípios santos trarão para si e para os seus pais profundos desgostos: “A vara e a disciplina dão sabedoria, mas a criança entregue a si mesma vem a envergonhar a sua mãe” (Pv 29.15).

A seguir quero dar-lhe dois  conselhos bem práticos sobre como preparar o seu filho desde bem cedo para ser um verdadeiro adorador do SENHOR Deus.

Primeiro conselho: Confie totalmente em Deus e em Sua Palavra.

Criar e educar filhos é uma tarefa que Deus exige de nós o máximo de empenho em obedecer à Sua Palavra. É muito comum vermos pais, especialmente os de “primeira viagem” lerem tudo o que se publica sobre criação de filhos, mas, são bem poucos os que buscam na Palavra de Deus a instrução para tal tarefa. Talvez por julgá-la antiquada, inadequada e ultrapassada refletindo uma cultura que nada tem a ver com a nossa. É lamentável ver crentes que conhecem o último livro lançado sobre Psicologia Infantil, mas, são incapazes de citar meia dúzia de versículos sobre criação de filhos. Se você é um desses, peça perdão a Deus por negligenciar a Sua Palavra. Dê prioridade (e exclusividade) à Palavra de Deus na educação de seus filhos. Fazendo isso, você mostrará a eles que a autoridade no seu lar está em Deus e em Sua Palavra. O quanto antes seu filho entender e crer nisso, evitará problemas sérios, pois, ele não agirá pensando em você, mas, sempre agirá sabendo que Deus está vendo o que ele está fazendo. Lembre-se também que ensiná-lo é seu dever, mas, converte-lo é obra do Espírito Santo. Ore por isso e confie Nele.

Segundo Conselho: Ensine seu filho a cultuar ao SENHOR Deus em casa e na Igreja.

Nesse sentido, o culto doméstico é muito importante. Reconhece-se com facilidade crianças que têm o privilégio de terem em seus lares o culto doméstico. Tais crianças conhecem mais a Bíblia (às vezes mais do que muitos adultos!), sabem orar, e sabem como se comportar no culto público. Muitos pais crentes estão “terceirizando” a educação cristã de seus filhos para a Igreja. É claro que a Igreja deve desempenhar esse papal, mas, até que ponto? A Igreja não está aqui para educar seus filhos, pois, isso é tarefa sua! A Igreja tem o dever de instruir os pais e orientá-los na tarefa de educar seus filhos de acordo com a Palavra de Deus.

Ainda sobre o culto público é preciso dizer algo mais. Adultos que se comportam inadequadamente (conversando, mexendo no celular, levantando-se sem necessidade, chegando atrasados, etc.) durante o culto são pedras de tropeço para os pequenos, pois, com suas ações contradizem todo ensinamento correto. Pais cujos filhos pequenos fazem birra durante o culto em vez de serem firmes com eles os levam para fora do templo para lhes mostrar as estrelinhas no céu numa tentativa de distraí-los, não percebem o que seus pequenos já perceberam: quando eles (os bebês) não querem ficar no culto é só chorar que os pais saem com eles. Assim, as crianças nunca se acostumam a se comportarem corretamente no culto. Crianças que são trazidas uma vez por semana à Igreja (e muitas vezes só na EBD ou somente no culto à noite) têm muita dificuldade de se acostumarem com o ambiente de culto. Tais crianças ficam correndo durante o culto, conversando, desenhando, ou fazendo qualquer outra coisa inapropriada para o momento. Todos nós sabemos que a repetição é uma ferramenta muito importante no processo de ensino e aprendizagem. Então repita a ação de trazer seu filho à Igreja quantas vezes você puder e dever ao culto e à Igreja. Prepare-o para o culto levando ao toalete antes do culto, dando água e alimento para ele não sentir sede e fome durante o culto para evitar inconvenientes. Ensine seu filho a respeitar o momento mais sublime da vida dele: o culto a Deus. Afinal, foi para sermos adoradores que fomos salvos por Deus!


Rev. Olivar Alves Pereira

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

ORAI UNS PELOS OUTROS



“Confessai, pois, os vossos pecados uns aos outros e orai uns pelos  outros...” Tg 5.16

Alguém já disse que: A oração intercessória é a mais alta forma de serviço cristão. Interceder é pedir, clamar, rogar por outro junto ao SENHOR Deus. O Espírito Santo através de Tiago deu este mandamento à Igreja: “orai uns pelos outros”. Cumprir este mandamento é necessário para construir um bom e firme relacionamento.

Há na Bíblia Sagrada, uma variedade de registros de pessoas intercedendo por outros. O profeta Samuel recebeu um pedido para orar em favor do povo de Israel, veja qual foi a sua resposta: “Quanto a  mim, longe de mim que eu peque contra o SENHOR, deixando de orar por  vós...” ISm 12.23.

Irmãos! Quando deixamos de orar uns pelos outros, estamos  desobedecendo, transgredindo um mandamento; portanto, estamos pecando. O Senhor Jesus é o maior exemplo de oração intercessória. Ele  intercedeu por Pedro: “Eu roguei por ti” Lc 22.32, e, momento antes de deixar este mundo, intercedeu junto ao Pai em favor dos seus presentes e futuros discípulos: “É por eles que eu rogo; não somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua Palavra” Jo 17.9,20 E nós, seus servos, devemos imitá-Lo, seguir o Seu  exemplo: “orar uns pelos outros”, como é encorajador ouvir de um irmão esta afirmação: Estou orando por você!


Rev. Odair Reges (I. P. Betel – SJC)

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Fora do Sistema

A natureza é linda, sabemos disso, sentimos isso! Ao contempla-la nos maravilhamos e pensamos: “Como o Criador é soberano, como Ele é criativo e perfeito em sua obra”. Ao olharmos os animais vemos a relação que eles tem com eles mesmos e com o meio em que vivem. Se mais atentamente nos ativermos a esses detalhes podemos aprender, não sendo os primeiros a fazer isso. Davi e Salomão eram contempladores natos, tiraram exemplos valiosos olhando a criação.
Como a corça anseia por águas correntes, a minha alma anseia por ti, ó Deus.” (Sl 42:1)
Observe a formiga, preguiçoso, reflita nos caminhos dela e seja sábio! Ela não tem nem chefe, nem supervisor, nem governante, e ainda assim armazena as suas provisões no verão e na época da colheita ajunta o seu alimento.” (Pv 6:6-8)
E ainda hoje, podemos tirar lições preciosas da criação. Uma delas é com um peixe, o salmão. Esse “carinha”, uma vez por ano, sobe o mesmo rio em que nasceu para desovar, isso é chamado de piracema. Levam-se dias, o caminho não é seguro, seus predadores estão à margem do rio a espera do “banquete”. Mas eles não cogitam outro jeito, tem que subir o rio. Tudo lhes é contrário, a boca escancarada de um urso, a força das águas, a longa jornada. Tudo quer impedi-lo, mas ele prossegue e avança, contra correnteza. E consegue, perpetuando sua espécie.
Na vida cristã vivemos algo semelhante, lutamos contra a maré o tempo todo. Cristo nos chamou pra viver FORA DO SISTEMA! Que sistema? O sistema mundo, o conjunto de valores e crenças que divergem do que o Senhor planejou, de como Ele deseja que vivamos. Somos diferentes, não temos vidas normais, sabemos que esse não é nosso lugar. Nossa conduta não é pautada no senso comum, nossas regras nãos são impostas pela sociedade e não é a mídia que nos diz o que é certo ou errado. É a bíblia, ela que nos distingue, que nos separa, que nos santifica desse mundo caído. Jesus em sua oração sacerdotal pediu ao Pai: “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade.” (Jo 17:17), sendo a palavra do Senhor a ferramenta de santificação do seu povo. Ser santo não é opção, não é uma alternativa, é uma ordem a quem foi escolhido por Deus: “Mas, assim como é santo aquele que os chamou, sejam santos vocês também em tudo o que fizerem, pois está escrito: “Sejam santos, porque eu sou santo”. (I Pe 1:15-16). Então não temos outra opção, lutamos contra o sistema.
Porém não é uma tarefa fácil, o Mestre falou que passaríamos por dificuldades, perseguições, que seriamos odiados. “Se vocês pertencessem ao mundo, ele os amaria como se fossem dele. Todavia, vocês não são do mundo, mas eu os escolhi, tirando-os do mundo; por isso o mundo os odeia.” (Jo 15:19). Entretanto, avançamos e prosseguimos. Ao conhecermos a ferramenta ela mesma nos dá o meio, a forma:
Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” (Rm 12:2).
Não é apenas resistir, também é transformar e “subverter” o próprio sistema. Não tomar a forma, ser inconformado. Vivemos um liberalismo em nossos dias, uma pseudoliberdade que nos aprisiona como foi no livro de Galátas. Pecado agora tem outro nome passando a ser chamado de “normal”. Mas não foi pra isso que fomos chamados, somos sal e luz (Mt 5:13,14). A igreja é a luz do mundo, guia os homens nesse mar de trevas em que temos vivido. Somos também sal da terra, sendo uma de suas funções retardar o apodrecimento dessa humanidade cada vez mais corrupta. Enquanto o mundo propaga o ódio, pregamos o amor; enquanto o rancor encontra mais lugar nos corações, liberamos perdão; enquanto o mundo definha e morre exalamos vida. A igreja é a expressão visível do Deus invisível.
Ao lutarmos contra o sistema renovando nossas mentes com a única regra de fé e prática, que é a bíblia, conseguimos experimentar “… a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” (Rm 12:2). Viveremos em paz mesmo em guerra, sentiremos o agir do Senhor, seremos meio de graça para outros. E mesmo em momentos difíceis, que parece que seremos tragados, olhamos para o autor e consumador da nossa fé e ouvimos Dele: “Eu venci o mundo.” (Jo 16:33). E isso é nossa esperança certa, de que prosseguiremos pelo caminho estreito. Enquanto todos caminham pra uma direção, seguimos outra; enquanto todos buscam por prazer aqui, sabemos que o nosso sofrimento é peso de glória (II Co 4:17); enquanto o sistema cega e mata, somos a luz que se esforça pra tirar mais pessoas da escuridão; enquanto uns andam a passos largos pra morte, caminhamos para a vida eterna em Cristo Jesus.
Que o conhecimento do Deus Santo nos constranja a santidade e que nossa mente seja renovada por sua palavra. Que nossa luz brilhe mais e mais “para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus”. (Mt 5:16). Porque viver é estar fora do sistema!
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Texto de Isaque Pedro, mais um subversivo da UMP Guarabira. (Blog: Arte de Chocar)

quinta-feira, 11 de julho de 2013

LUTAR COM DEUS OU CONTRA DEUS


 Gênesis 32:22-32 

“Como príncipe lutaste com Deus”.  Lutar com Deus. É admissível? Jacó, o suplantador, não foi o único a ter essa experiência. Outros servos de Deus, em épocas e circunstâncias diferentes iriam tê-la. Um deles, o filósofo espanhol Miguel de Unamuno, já falecido, dizia: A minha vida não é comungar, mas lutar com Deus, desde o crepúsculo da manhã até o anoitecer como se diz ter Jacó lutado com o anjo”.  Evidentemente que não se tratava de uma luta no plano físico, corporal, mas noutra esfera, da mente e da alma. Então: teria sido a luta de Jacó uma competição em termos de força física? Ou teria sido uma porfia de caráter moral, psicológico e espiritual?  
Os estudiosos contemporâneos dão a essa escritura um sentido muito mais nobre e reverente do que aquele que, à primeira vista, se lhe poderia atribuir. Ei-lo: O escritor sagrado teria recorrido à imagem antropomórfica muito viva para designar uma luta que se passou não fora de Jacó, mas estritamente na consciência deste. O suplantador, depois de muitas fraudes, via-se de regresso a casa sabendo que seu irmão Esaú lhe ia ao encontro com 400 homens. O perigo de morte, que então enfrentava, o fez cair em si. Tomando consciência dos atos injustos que cometera, julgou ter chegado a hora de sofrer o castigo de Deus. O abatimento a que este pensamento o reduziu equivalia para ele a uma agonia ou luta. O patriarca, porém, não morreu nessa crise; ao contrário, conseguiu sair da depressão. Com efeito, o Senhor lhe deu a conhecer que o pouparia, embora o pudesse derrotar. Não o amaldiçoaria, mas o tornaria, daí por diante, divinamente forte contra os homens, Israel, ou seja, o portador das inabaláveis promessas e bênçãos messiânicas. Jacó, para o futuro, não seria o suplantador que vence por meios fraudulentos, mas aquele que sabe contar com o auxílio de Deus mais do que com a própria habilidade. O defeito deixado na coxa de Israel lembrar-lhe-ia a impotência do seu poder humano e a prepotência de Deus, que liberalmente outorga a vitória ao indivíduo que Ele escolhe.  
De qualquer modo interpretando, uma coisa é certa: Ali, no vau de Jaboque, naquela madrugada, ele teve a experiência mais dramática de sua vida, responsável pela transformação que nele se operou, ou seja, de Jacó enganador para Israel batalhador! Bem, deixemos de lado a controvérsia em torno de assunto tão polêmico. Mas, se não é admissível, ou é, uma vez entendida a luta em termos de experiência muito íntima com Deus, que dizer do atrevimento de M. Unamuno e da ousadia do próprio tema desta noite? Aqui propomos duas considerações:  

a) O Antigo Testamento nos apresenta vários personagens em situação de crise aflitiva que ilustram nossos comentários. Exemplo: Moisés “risca-me do teu livro”; Elias “basta, toma agora, ó Senhor, a minha alma”; Job “Pereça o dia em que nasci”; o salmista Asafe “quando o coração se me amargou e as entranhas se me comoveram eu estava irreconhecível”; Jeremias “Justo és, ó Senhor, quando entro contigo num pleito; contudo falarei dos teus juízos”; Habacuque ”Até quando, Senhor, clamarei eu e tu não me escutarás? Oséas “O Senhor nos despedaçou...Ele fez a ferida! 

b) O discernimento comum sobre esses exemplos saberia diferenciar entre lutar com Deus e lutar contra Deus! Lutar com Deus revela conhecimento íntimo da sua natureza de Pai amoroso e bom; revela confiança, revela espírito de intensa comunhão. Se quisermos um exemplo do que estamos falando, o colheremos no seguinte depoimento: Há algum tempo foram enfeixadas num livro, e publicadas, algumas cartas que o nosso amigo e contemporâneo, escritor Frei Beto, enviou para amigos, parentes e irmãos, quando se encontrava preso, sob a injusta acusação de anarquista. Entre elas se destaca uma destinada à sua irmã Cecília. Eis o seu teor: 
 “O amor que te dedico é grande como a distância que nos separa. Na tua simplicidade e no teu silêncio há qualquer coisa que sempre me tocou profundamente. És uma daquelas raras pessoas que sabem sempre ser pobres e possuem por isso uma imensa riqueza interior. Há em ti muitas coisas que correspondem à imagem que faço de Maria. Talvez porque não deves fazer nenhum esforço para amar a Deus. Ele te ama e isso se traduz claramente em tua vida. Minhas relações com Deus são muito diferentes, vivo em luta com Ele, discuto, me enraiveço, nunca estou satisfeito... Deus me arrancou da família ainda muito jovem e pôs sobre os meus ombros um jugo muito pesado, e me enviou a outras terras no meio de gente desconhecida. A ti Ele nada pediu de semelhante, não te impôs um jugo e nem te separou da família. Eu Lhe resisti, mas Ele venceu e me levou a uma vocação que nunca pensei ter... Olha um pouco o que Ele fez de mim: Me levou de cidade em cidade, me permitiu fazer belas amizades de que tive de separar-me, me arrastou por caminhos estranhos, me tornou notícia de primeira página nos jornais, permitiu que eu acabasse nessa prisão. Por vezes eu me pergunto: Até quando, Senhor? E tenho a impressão de que Ele ainda não se cansou de exigir de mim muito mais do que tudo que posso dar. Houve dias em que só me mantive de pé porque Ele o quis. Se dependesse de minhas forças, teria caído mil vezes. No mais fundo de mim mesmo peço a Deus de ser como tu, cheio de paz, com uma fé límpida e transparente como a água das montanhas. Não consigo! Ele quer que eu viva entre tempestades e ciclones, e sou obrigado a sustentar-me no fio de fé  que Ele me  concede. Minha irmã, o verdadeiro drama é que Deus confia demais em Nós. Quer que sejamos sua presença junto aos homens...Imagino que tua prece seja toda feita de silêncio. Eu, pelo contrário, não oro; discuto. Quando o faço, coloco uma série de problemas, ofereço sugestões, propostas, analiso, etc. Há dias em que tenho a impressão de que Ele não queira mesmo escutar-me... No entanto, insisto. Peço uma coisa, Ele me dá outra. Falo de certa maneira, Ele entende de outra. Talvez venha a ser assim até o dia em que nos encontraremos face a face... Poremos então os pingos nos is”.  
Aí está o exemplo, repito, de alguém que luta com Deus como Jacó. Agora, lutar contra Deus, e não é preciso mencionar exemplos, é atitude de Quem o conhece de longe, por informação, e conhece muito mal. Por isso mesmo abre greve contra Ele. Para reforçar essas considerações  sobre o tema em pauta, ou seja, lutar com e lutar contra, permitam-me ilustrar: quando estudante, na década de 60, imerso em profunda crise existencial, ouvi de um experiente pastor muito piedoso e bom amigo, o seguinte: a sua aflição reflete a justificável e sensível preocupação com a realidade sofredora da humanidade. Mas não se esqueça do seguinte: jamais se afaste da mística da evangelização, ou seja, dos mistérios da fé que se resumem na encarnação, expiação e ressurreição.   
Concluindo: lutar com Deus significa abrir o coração e apresentar-lhe as nossas mágoas, dúvidas, perplexidades, esse turbilhão de emoções que nos agita na intimidade, quando entramos no recesso da comunhão com Ele. Lutar contra Deus, repito, é fazer greve, a única que, mesmo não sendo ilegal, pois Ele não obriga ninguém a amá-lo, jamais produz resultado positivo ou favorável. E como ocorre essa greve? Negando as bênçãos recebidas, rejeitando os recursos (meios de graça) para superar as dificuldades, afastando-se dos meios próprios e adequados, culpando e responsabilizando a Deus pelos erros humanos, consequência natural da vida...  
Portanto, atentemos e nos capacitemos do seguinte: o plano pessoal e íntimo de relacionamento com Deus está a critério de cada um conforme as circunstâncias que nos envolvem. Cuidemos, porém, para que não seja equivalente a greve.  


Rev. Ephrain Santos de Oliveira 
pastor jubilado 
Igreja Presbiteriana

segunda-feira, 11 de março de 2013

A SIMPLICIDADE DO EVANGELHO


        A tendência do ser humano é fugir da simplicidade e optar pela sofisticação. Achamos que o simples não chama a atenção. Menosprezamos, por exemplo, uma comida preparada com elementos do nosso dia a dia, para valorizar gastronomias complexas, que usam elementos com nomes complicados e pratos com denominação estranhas ao nosso linguajar. O Mestre dos mestres optou pela simplicidade quando disse: “Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei... Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos:se tiverdes amor uns aos outros” (Jo 13.34,35).

     Jesus resumiu seu ensino numa só palavra: Amor. Paulo, escrevendo aos coríntios exalta a excelência do amor dizendo: “Ainda que eu fale a língua dos homens e dos anjos... ainda que eu tenha o dom de profetizar... ainda que eu tenha tamanha fé, a ponto de transportar montes... ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres e ainda que eu entregue o meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveitará” (1 Co 13.1-3).

     Ainda diz: “O amor jamais acaba”, isto é, o amor é transcendental, é o único elemento aqui existente que  continuará lá na eternidade.

     Ouvi, certa vez, a história de um homem que morava numa grande cidade, cuja esposa era crente piedosa. Semanalmente ele a levava a uma grande e luxuosa Igreja. Por conta disto, ouviu muitas mensagens com linguagem rebuscada de pastores com retórica impecável. Mas, nunca fora tocado por nenhuma delas.

     Ao visitar seu sítio, numa cidadezinha do interior, assistindo a um culto numa modesta Igreja, foi tocado pela simples mensagem de um pregador semianalfabeto, entregando ali, naquele dia, sua vida a Jesus. A mensagem do evangelho deve ser simples e objetiva, sem necessidade de enfeites nem de palavras bonitas.

 Rev. Célio Dias - IP Betel - São José dos Campos



quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Quando só o Evangelho não basta




A criatividade (para não dizer outra coisa) do meio evangélico em nossos dias já extrapolou a barreira do ridículo. As invencionices e esquisitices proliferam como praga promovendo escândalos e desonra ao Evangelho de Cristo. 

Quando só o Evangelho não basta surgem as campanhas milagrosas onde o único beneficiado é o líder que embolsa    somas astronômicas de dinheiro. Vidas sofridas e machucadas são iludidas pelas falsas promessas de que Deus quer curá-las. Nem preciso dizer que a doença e o sofrimento para esses tais estão longe de serem instrumentos de Deus na vida daqueles que são Seus filhos (cf. Hb 12.6; 2Co 12.7-10) moldando-lhes o caráter à semelhança de Cristo (Rm 8.28-30).

Quando só o Evangelho não basta para atrair os pecadores a Cristo por meio de um sincero arrependimento, programações e eventos dos mais estapafúrdios são apresentados diferindo pouco ou nada do mundo com seus atrativos. Festas folclóricas que sempre estiveram associadas à idolatria e ao paganismo recebem uma roupagem “gospel”, mas, abrigando o velho lixo de sempre no seu conteúdo. Ringues e arenas são montadas dentro dos espaços de culto (antes eram chamados de “templos”) onde irmãos que praticam artes marciais e pugilismo se atracam numa “pancadaria santa”, e tudo isso com o propósito de atrair a atenção especialmente jovens.

Quando só o Evangelho não basta para manter as pessoas na comunhão da Igreja, líderes fazem de tudo para paparicá-las passando-lhes a ideia de que são tão importantes como se Deus existisse para agradá-las, e não o contrário. Certa feita ouvi da boca de um pastor que ele faria o que fosse necessário para segurar uma pessoa na sua igreja: “Se necessário for eu lambo o chão para que essa pessoa continue conosco”, e ele disse isso com convicção. Eu lhe respondi: “Deixe de ser tolo. Se essa pessoa não permanecer por causa do sangue de Cristo, não será a sua saliva que a segurará na Igreja”.

Quando só o Evangelho não basta, as experiências sobrenaturais e sensitivas dão lugar à pureza e ao poder do Evangelho, e por isso mesmo já não se pode dizer como Paulo disse: “Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê” (Rm 1.16). Tais experiências, como Paulo alertou o jovem pastor Timóteo têm “forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder” (2Tm 3.5). E como tais experiências que embora afirmem ser demonstração do poder de Deus não o são de verdade? Quando elas não produzem nenhuma mudança no coração e caráter das pessoas; quando a única mudança que se vê nessas pessoas está somente num linguajar cheio de jargões que mais parecem fórmulas mágicas (“tá amarrado”, “eu decreto”,”eu ordeno”, “tomo posse dessa bênção”, “só Jesus nessa causa”, “eu concordo com sua prosperidade”, etc.), mas, a maledicência (fofoca, calúnia, mentira, etc.) ainda está muito bem viva em seus lábios e corações.

Quando só o Evangelho não basta para orientar os corações em busca do verdadeiro sentido da vida (viver para a Glória de Deus), as psicologias, as terapias, as filosofias, a antropologia, a sociologia e todas as outras “ciências” inventadas pelo homem para entender a si  mesmo e responder aos seus dilemas invadem os púlpitos (que em muitas igrejas agora são chamados de “palcos” e até mesmo “altares”) e assim o povo é alimentado com o que o homem produz e não com a Palavra de Deus. Por esse motivo vemos tanta gente definhando, tantos corações confusos dentro das igrejas por que não são mais confrontados com a Palavra de Deus, mas, bajulados com a falácia dos homens.

Quando só o Evangelho não basta… Mas, quando ele não basta?  Quando nosso orgulho nos impede de reconhecer nosso pecado e pecaminosidade, bem como nossa total carência e dependência da Graça de Deus.

O Evangelho jamais perderá o seu poder porque ele é a maravilhosa notícia vinda dos céus na pessoa de Jesus Cristo, e como tal sempre cumprirá aquilo que é do agrado de Deus (Is 55.11). Como alguém disse: “O mesmo sol que amolece a cera, endurece o barro”. Resta saber agora se você é cera ou barro diante do Evangelho.